7 fatos básicos para identificar a culinária coreana

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2013

O que é preciso saber para se virar num restaurante de cozinha coreana

Por Thiago Minami*

Os dias na Coreia são de muita comida. Não tenho dúvida: é um lugar onde sempre se come bem. Não falo de alta gastronomia, mas de cozinha farta, bem feita e calorosa, que é mais ou menos como a lasanha de domingo. Tenho a sensação de que por trás de todo bibimbap (foto) ou kimchi existe a mãe típica coreana, forte, meio brava, pronta para acolher.

Bibimbap

Ao mesmo tempo, das asiáticas, a culinária corean talvez seja uma das mais difíceis de se entender. Porque tem cor vermelha por todos os lados, nada de formosura e pratos numerosos e volumosos. Para pôr um sorriso na cara dos aventureiros, por ser inóspita, é também uma das que se mantém mais autênticas fora do país. Ou seja, não há sushis com manga ou bananas caramelizadas.

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Porções de namul do Bicol, na Aclimação, em São Paulo

A intensidade da comida coreana parece ser, na verdade, a representação do próprio país. Metido entre duas potências mundiais, a China e o Japão, e ainda com a Rússia espreitando logo acima, é só no berro que um país minúsculo (e dividido, ainda por cima) consegue chamar a atenção do mundo.

Veja 7 fatos básicos que distinguem a culinária coreana:

1) Na base de boa parte dos pratos entram três ingredientes: óleo de gergelim, alho e gochujang, que é tipo um missô (pasta de soja) fermentado.

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Alho à venda em Seul

2) Concorrem de perto com os japoneses pelo título de quem consome mais arroz branco. Este é, aliás, essencial para acompanhar os pratos apimentados.

3) A pimenta está presente por toda a parte. É diferente, porém, da tailandesa e da mexicana. A coreana não é explosiva. Ao contrário, agrega os sabores dos pratos e ressalta-os.

4) Kimchi, a conversa de legumes, verduras e frutos do mar, é provavelmente um dos pratos mais icônicos do mundo. Mais que o sushi para o Japão, mais que a feijoada para o Brasil. Talvez no mesmo ponto que as massas para a Itália.

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Kimchi de acelga, o clássico

 

5) Hashis, cuias e tigelas são todos de metal.

6) É a única na Ásia a usar muita carne de boi.

7) Divide com o Japão o gosto por sushi e sashimi, feitos à moda coreana, com pimenta e óleo de gergelim.

No Brasil, a imigração coreana ainda é recente. Por isso, ainda existem poucos restaurantes típicos, com exceção da cidade de São Paulo, que conta com mais de 10 estabelecimentos distribuídos pelos bairros do Bom Retiro e da Aclimação (e mais dois na Liberdade).

+Veja o que o chef René Redzepi tem a dizer sobre a culinária japonesa. 

Aqui vão alguns lugares para experimentar os pratos típicos.

São Paulo
Bicol
Localizado na Aclimação, numa praça tranquila de bairro, oferece cardápio em português e tem um dos melhores churrascos coreanos da cidade.
Jong Ga
Perfeito para iniciantes: tem um bufê a R$31 no almoço com alguns dos principais pratos típicos, muitos sem nenhuma pimenta.

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Brasília
Happy House
Funciona há 17 anos no Venâncio 2000. Tem os clássicos bibimbap e churrasco de barriga de porco (sangyopsar).
Recife
Burgogui
Destaque para o bulgogui (carne marinada e grelhada) feito com bode.

Se quiser um guia mais completo com a descrição dos pratos coreanos, aqui está um guia que preparei no ano passado.

*Thiago Minami é jornalista (thiago@revistagosto.com.br). Viveu cinco deliciosos anos no Japão e esteve em países como Laos, Hong Kong e Taiwan.

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