A todo vapor

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Cozinhas de restaurantes são uma correria sem fim. Em um navio, então, é um desafio só vencido por gente muito bem treinada

*Por Suzane G. Frutuoso (texto e fotos)

Apesar da ideia de glamour que cerca o mundo da gastronomia, quem trabalha na cozinha sabe que o dia a dia ali não é fácil. Altas temperaturas, pressão para que tudo saia perfeito, cronometrado, além de riscos como queimaduras e cortes – só para citar alguns detalhes. É trabalho pesado. Imagine quando jantares e almoços são para um público de 2 mil pessoas. Esse é o desafio de quem trabalha na cozinha de um navio como o Splendour of The Seas, da companhia Royal Caribbean.

A Revista GOSTO embarcou no cruzeiro temático Royal Gourmet, que partiu de Santos, litoral de São Paulo, dia 13, e retornou sete dias depois, com paradas nas cidades de Buenos Aires, Argentina, e Punta del Este e Montevidéu, Uruguai. Idealizado pela chef Mônica Rangel, do restaurante Gosto com Gosto, de Visconde de Mauá, Rio de Janeiro, que é também jurada no programa Cozinheiros em Ação, do canal GNT, a viagem se propõe a oferecer experiências gastronômicas variadas aos passageiros.

Aproveitamos para conhecer a cozinha de um dos cinco restaurantes do navio (que emprega 120 funcionários por temporada). No caso, o King and I, com decoração de inspiração asiática e voltado ao serviço à la carte de alta gastronomia. Quem nos conduziu entre panelas gigantes e produção de pratos delicados em série foi o chef espanhol Henrique Sparrow. “Tudo é calculado para a comida não acabar durante o cruzeiro, mas também resultar em desperdício mínimo”, disse o cozinheiro, que contabiliza 25 anos de profissão, dez anos trabalhando em navios, sendo sete deles na Royal.

Os números de uma viagem como essa, de sete dias, são grandiosos: 7 mil quilos de batata, 22 toneladas de frutas e verduras, 3 toneladas de frango, 4 toneladas de carne vermelha. Há, ainda, particularidades quando o cruzeiro recebe em sua maioria brasileiros. “O consumo de leite é 30% maior do que nos roteiros pela Europa. Pratos com pato e cordeiros são menos pedidos. Já receitas com bacalhau são sucesso”, afirmou o chef. O Splendour, aliás, é o único navio da companhia que serve arroz e feijão em seu buffet.

E como fazer dar certo essa operação? “Treinamento intenso, fotos de cada prato, provas diárias das receitas”, destaca Henrique. Ele afirma que para chegar à perfeição são necessários ao menos cinco meses de trabalho com a equipe. Karine Calahan, 26 anos, de Avaré, no interior de São Paulo, era um dos funcionários já com a mão na massa às 10h30. “Trabalho na confeitaria. Tenho quatro anos de cozinha, mas é minha primeira vez em navio”, contou a jovem, que recebe US$ 800 mensais. “É ótimo para juntar dinheiro já que não gastamos com nada. Fora que a experiência é rica, com pessoas de todas as partes do mundo”.

O próximo Royal Gourmet já tem data de partida marcada para 24 de janeiro de 2016 e será no navio Rhapsody of The Seas. No site www.royalcaribbean.com.br logo estarão disponíveis as informações e reservas de cabine da terceira edição.

*A redatora-chefe da Revista GOSTO viajou a convite da Royal Caribbean.

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