No ano-novo chinês, dicas para um yakissoba impecável

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Não é difícil e não dá trabalho. Só é preciso alguns cuidados especiais para fazer uma boa receita de yakissoba e comemorar o ano do bode.

Por Thiago Minami*

O ano-novo chinês chegou. Tão melhor que o outro, porque, pelo menos para nós, não tem trânsito, multidão, roupa branca nem fogos de artifício. E também é uma segunda chance para pôr em prática as promessas para 2015 que, até agora, não dão sinal de que vão vingar.

Aqui vai uma sugestão singela. Preparar um yakissoba em casa para não deixar a data passar em branco. Um yakissoba bem feito, claro, que fica muito bom mediante alguns poucos cuidados.

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Antes, um pouco sobre este prato curioso. É popular no Brasil como em nenhum outro ponto do mundo (exceto pelo Peru, talvez), carrega um nome em japonês e é, na verdade, uma invenção do sul da China. Em cantonês, chama-se “chau mein”, de onde vem seu nome em inglês, “chow mein”, em inglês. Ou, literalmente, macarrão refogado (炒麺). Já em japonês, a tradução para yakissoba é “macarrão grelhado”, o que faz sentido: por lá, é colocado numa chapa de ferro, como essas de boteco, e grelhado com pouquíssimos acompanhamentos.

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Nos EUA, é chamado de chow mein

Nosso yakissoba costuma ser uma mistura, porque é muitas vezes grelhado, porém com temperos e ingredientes mais próximos do original chinês. Mais uma das confusões saborosas que formam a culinária à brasileira.

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Não há ingredientes específicos para juntar ao macarrão. Vale colocar o quiser. Como este vai ser o ano do bode, até ele pode entrar na receita, se quiser incluir algum tipo de referência literal.

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É o ano do bode

 

1) Macarrão de qualidade é essencial. Claro, é o principal da receita de yakissoba. Eu gosto da marca Hirotani Seimen. É brasileiro, é fácil de achar (e não tem nada de publicidade aqui). Só não é o mais barato: a caixa de 500 g sai entre R$8 e R$12.

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A melhor marca, na minha sincera opinião

2) Grelhe o macarrão à parte. Para deixar crocante e com um sabor especial, grelhe o macarrão já cozido num fio de óleo de gergelim. Deixe até a parte de baixo ficar levemente dourada.

3) Não exagere no shoyu. Na verdade, nem precisa colocar o molho de soja. Só um pouco de alho, gengibre, saquê e sal já bastam (às vezes eu uso molho de ostra e alguma pimenta). Em excesso, o shoyu rouba o sabor e deixa tudo encharcado.

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4) Refogue rapidamente e em alta temperatura. Aqui vai o segredo de ouro da culinária chinesa. Refogue os ingredientes por pouco tempo e em temperatura bem alta (repare na rapidez daqueles vendedores de rua). É para que fiquem cozidos e crocantes ao mesmo tempo.

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Yakissoba de rua no Japão: grelhado, não refogado

5) Simplicidade é tudo. Honestamente, não vejo motivo para usar ingredientes caros no yakissoba, tipo picanha ou flor de sal. É um prato simples, rápido, que tira a força do conjunto. Melhor investir em itens frescos, picados na hora, que podem ser mais interessantes que aqueles já prontos para o preparo, vendidos em pacotinhos.

*Thiago Minami é jornalista (thiago@revistagosto.com.br). Tornou-se o hashi mais rápido do leste ao longo de cinco deliciosos anos na Ásia, em países como Japão, China e Taiwan.

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