Bocuse D’or 2017: A esperança brasileira

Sob a liderança do chef Laurent Suaudeau, a alagoana Giovanna Grossi já se encontra em Lyon, na França – evento começa dia 24 de Janeiro

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Quando muita gente estava de férias e o Brasil derretia sob o calor do verão, ela passava até quinze horas por dia no fogão. Cozinhava e cozinhava. Detalhe: apenas um único prato. “Assim que soltaram o tema, em setembro passado, começamos o treinamento. Iniciávamos por volta de 8h30 sem hora para acabar, às vezes íamos até as onze da noite, sete dias por semana”, afirma Giovanna.

A chef alagoana é a representante brasileira na final do Bocuse D’or 2017, nos dias 24 e 25 próximos, em Lyon, na França. A primeira chef mulher do país a fazê-lo. Realizado a cada dois anos, o Bocuse D’or – que leva o nome de seu criador, Paul Bocuse, a lenda da gastronomia francesa – é a maior e mais respeitada competição de gastronomia do mundo. Ao todo, 24 países participam.

Giovanna, 25 anos, credenciou-se com brilho para tamanha empreitada. Natural de Maceió, aos 18 anos veio para São Paulo cursar gastronomia, de onde saltou para a França, para estudar no renomado Instituto Paul Bocuse. Seguiram-se passagens por cozinhas de Paris e Barcelona, de onde retornou especialmente para participar da seletiva nacional durante o evento Sirah Brasil, em 2016, no Rio de Janeiro – a qual ganhou, repetindo a façanha na seletiva internacional, na Cidade do México, meses mais tarde.

Os treinamentos (em equipe) aconteceram na Escola de Arte Culinária Laurent, em São Paulo. Figura importantíssima da gastronomia brasileira, o chef francês Laurent Suaudeau é o presidente da equipe (e do Bocuse D’or Brasil). É também um dos catorze jurados da final em Lyon (sem direito a voto na equipe que preside). Integram o time o chef Victor Vasconcellos, escolhido por Laurent como treinador de Giovanna; Andrew Valentim, coordenador da Escola Laurent, e Nicolas Santos (ajudante geral).

Giovanna & Laurent

O treino intensivo é bom porque dá segurança e você vê a evolução”, comenta. “Íamos fotografando todos os passos”. Normalmente, a curadoria do evento dita uma carne e um peixe, como sendo os preparos exigidos – entretanto, no ano em que completa três décadas, a competição homenageia a França cravando aos competidores um clássico francês: “poulet aux ecrévisses”, frango com camarões de água doce tradicionais da região de Lyon – a receita obrigatoriamente deve levar um toque do país de origem do competidor. O treino de Giovanna consistia em repetir infinitamente o prato, em todas as suas etapas.

Com muitos ingredientes verde-amarelos na bagagem, Giovanna já está na França para uma semana de treinos e adaptação a equipamentos, no Instituto Paul Bocuse. Apesar das diferenças orçamentárias – há países que constroem para seus competidores cozinhas idênticas às do Bocuse D’or em Lyon, sendo que os brasileiros organizaram jantares beneficentes para custear as passagens aéreas –, ela acredita num excelente desempenho. “Sabemos que é difícil. Mas estou feliz porque sei que vamos mostrar um trabalho incrível. Quem for melhor que nós, o será por mérito”. Chef Laurent Suadeuau: “Fizemos tudo o que tínhamos que fazer e esperamos um resultado proporcional ao nosso grande empenho”.

Até hoje, a melhor colocação de um brasileiro no Bocuse D’Or ocorreu em 1997, com o chef Antonio Francisco “Naim” dos Santos, que obteve um honroso décimo lugar. De origem humilde (começou na cozinha como faxineiro), Naim executou pernil de porco austríaco e bacalhau fresco da Noruega. Seu técnico e mentor? Laurent Suadeau.

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