Brilho lusitano

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O chef português Miguel Castro e Silva já apresentou suas receitas criativas, aromáticas e delicadas na cidade de São Paulo

Por J. A. Dias Lopes
Foto: Reinaldo Mandacaru

A cozinha portuguesa atual tem uma dúzia de chefs de alta qualificação, cujos nomes não citamos para evitar alguma omissão ou injustiça. Um deles é seguramente o portuense Miguel Castro e Silva, 52 anos, 22 dos quais dedicados à cozinha profissional. “Na verdade, sempre estive perto do forno e do fogão”, diz ele. Curiosamente, Miguel não começou a vida estudando cozinha, mas biologia — na Universidade de Kiel, na Alemanha. Só depois se interessou pelo ofício atual.

Eis a sua trajetória profissional: em 1991 abriu na Maia, município na área metropolitana do Porto, o Quinta dos Vales, seu primeiro restaurante; em 1993, fundou na região portuense da Foz, o Restaurante do Miguel, que a revista portuguesa Exame considerou um dos 12 melhores do país; em 1997, abriu o Bull & Bear, no edifício da bolsa da mesma cidade, alvo de deferências semelhantes dos jornais lusitanos Expresso e Público; em 2009, mudou-se para Lisboa, onde inaugurou o de Castro Elias, em Entrecampos, especializado em petiscos; em 2010, abriu o Restaurante Largo, no Largo de São Carlos, também na capital portuguesa.

Miguel não para: é requisitado e dificilmente rejeita convite para fazer jantares gastronômicos nos quais harmoniza comidas e vinhos (que conhece bastante); realiza viagens a serviço, tendo inclusive se apresentado em abril passado, com o sucesso de sempre, no restaurante A Bela Sintra, de São Paulo. Eram seis pratos, reunidos em um cardápio especial, mas que podiam ser pedidos individualmente. Dois deles — pescada com lagostins ao alhinho e pudim de mel, queijo fresco e compota de abóbora — estão no site de GOSTO. A clientela ficou encantada com o domínio da técnica do chef e sua cozinha criativa, aromática, delicada e elegante.

No lisboeta de Castro Elias, Miguel delicia a clientela com variadas criações, sendo renomadas as amêijoas (no Brasil preferimos usar o nome italiano vongole) com feijão manteiga (também é conhecido como feijão de mianmar, feijão açúcar, haba, guffin, java, rangood e madagáscar). O prato acompanha Miguel há anos e ele não conseguiria tirá-lo do cardápio, pois os clientes o pedem sem parar. “Foi a primeira receita que me marcou como profissional”, confessa. “Resultou de uma mistura das clássicas amêijoas à Bulhão Pato, de Portugal, com outras que conheci no País Basco.” Foi capa da GOSTO 34, preparada por Antonio Mendes e Sousa Neto, do restaurante North Grill, de São Paulo. É prato de grande simplicidade, porém extremamente delicioso. Exatamente como a cozinha de Miguel.