Cavas

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Celebração ibérica
Por Guilherme Rodrigues
Fotos Luiz Henrique Mendes

Provamos 20 marcas do popular espumante da Espanha, talvez o mais próximo do champagne francês, jovial, festivo, com qualidade e preços estimulantes

Nada como um bom vinho espumante para as celebrações do fim do ano. E, por que não, também para refrescar e animar os dias de verão? Quando bem elaborados, são joviais, complexos, estimulantes, festivos, também perfeitos para acompanhar muitas refeições. Dentre todos os espumantes produzidos no mundo, o cava espanhol destaca-se sobremodo. Possivelmente, é o mais próximo do paradigma máximo da categoria, o champagne. Mas com um predicado especial: é o maior e mais ilustre espumante do Mediterrâneo.

Embora alguns exemplares mais sofisticados ascendam a mais de duas dezenas de reais, a maioria é bastante acessível e de boa qualidade. Ideais para comemorar com classe, charme e requinte, mas sem precisar esvaziar a carteira. Por isso, elegemos o cava para apresentar na degustação de fim de ano de GOSTO. Vinhos para cima, qualificados, com uma história fantástica, o espumante mediterrânico por excelência. Entre as 20 marcas provadas, revelamos custos-benefícios fantásticos.

O cava nasceu em meados do século 19, na região vinícola de Sant Sadurni d’Anoia, na Catalunha, próxima a Barcelona, dentro da região vinícola do Penedès. Berço ilustre, é um dos locais de gastronomia mais inspirada do mundo. Tudo começou em 1872, quando José Raventós, chefe da casa familiar Codorníu, resolveu fazer um espumante segundo o método clássico, ou champenoise, com a segunda fermentação em garrafa. Foi um grande sucesso, que se espalhou pela região e por outras da Espanha. Inclusive com as caves subterrâneas, para o necessário afinamento e repouso dos espumantes.

O vinho era chamado simplesmente de “champagne”, como os demais espumantes ao redor do mundo na época, ou “champagne espanhola”. No final do século 20, com a afirmação da exclusividade do nome “champagne” para os vinhos da região francesa homônima, os espanhóis batizaram seu espumante com o inspirado nome de Cava, em alusão às caves subterrâneas onde eles são armazenados.

Mas ainda é comum se ouvir na Espanha alguém pedir um champán, referindo-se ao cava.

As principais uvas são as brancas Xarel-lo (aporta aromas), Parellada (sabor a maçãs e crocância) e Macabeo (mais neutra). Chardonnay também é empregada. Há ainda as castas tintas, em proporções menores e especialmente nos rosés. Outra peculiaridade é a produção não se limitar a apenas uma região vinícola, mas estender-se a diversas. Contudo, é ainda da Catalunha, não muito longe de Barcelona, no Penedès que saem 90% dos cavas. A cidade de Sant Sadurní d’Anoia desponta como o centro da produção.

Segundo a quantidade máxima de açúcar residual, os cavas são denominados como: Brut Nature (até 3 g/l), Extra Brut (até 6 g/l), Brut (até 12 g/l), Extra Seco (de 12 g/l e 17 g/l), Semi Seco (de 17 g/l a 32 g/l) e Doce (acima de 32 g/l). No que tange ao envelhecimento prévio em caves, podem ser: Gran Reserva, estágio mínimo de 30 meses e vinhos com açúcar residual de Brut para mais secos; Reserva, estágio mínimo de 15 meses. A produção, qualidade, denominação, rotulagem e vendas são controladas pelo Consejo Regulador del Cava, órgão responsável pela denominação de origem.

O teste de GOSTO foi realizado às cegas, ou seja, em amostras servidas em copos numerados sem que os degustadores conhecessem os rótulos. Somente após terminada a prova e anotadas as pontuações é que os rótulos foram revelados. Os trabalhos transcorreram na excelente churrascaria Vento Haragano, de São Paulo [Av. Rebouças, 1001, Jardim Paulista , tel.: (11) 3083-4265], sob a coordenação do competente sommelier Alcir de Souza Ubaldo e o serviço impecável de Carlos Palenschi e Laércio Zarta.

São vinhos para refrescar aos 8 °C/9 °C. Ao final dos trabalhos, foram servidas as apetitosas carnes do Vento Haragano. Além deste redator, participaram da avaliação os experientes degustadores de GOSTO: José Luiz Pagliari, José Maria Santana e José Ruy Sampaio. Esteve presente o diretor de redação de GOSTO, jornalista J.A. Dias Lopes.

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