Chiquinho, gerente do Don Curro, conta sua trajetória profissional

Veja porque Abelardo Lima da Silva, o Chiquinho do Don Curro, tornou-se tão querido.

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Ele saiu em 2006 do restaurante Don Curro, onde trabalhou por 26 anos, mas continuou identificado com a grande casa espanhola de São Paulo. Nunca se livrou dessa qualificação abonadora. Onde estivesse, continuava a ser “Chiquinho do Don Curro”. Agora, depois de um afastamento de onze anos, voltou a trabalhar ali como gerente de atendimento. Anfitrião impecável, atencioso e sorridente, Abelardo Lima da Silva, o Chiquinho, nasceu 16 de dezembro de 1943, em Serrinha, cidade tranquila, no nordeste da Bahia, próximo a Feira de Santana.

De origem humilde, foi criado em família numerosa, de oito irmãos. Lembra com saudade da infância acompanhando o pai no trabalho rural, nas fazendas da região, conduzindo o carro de bois, transportando todo o tipo de colheita, por estradas rudimentares. Sonhando longe, o jovem Chiquinho tomou a decisão de mudar em 1966 para São Paulo, atrás de uma vida melhor. Tinha apenas 23 anos, muitas expectativas e, com força devontade, iniciou a trajetória de sucesso que mudou sua vida. O início não foi fácil. Fez de tudo em restaurante: faxineiro, ajudante de cozinha e de barman, barman, maître, gerente, até virar estrela do salão.

Foi na década de 70, no Pepe’s Bar, um dos muitos da Galeria Metrópole, situada na Av. São Luis, no centro da capital paulistana, onde tudo começou. Chiquinho era assistente debarman num dos pontos de encontro de intelectuais, jornalistas, artistas e boêmios. Pesava 57 quilos e era muito agitado, não conseguia ficar parado por muito tempo, tal a vontade de fazer seu trabalho e aprender. “Comparavam-me com um macaquinho”, brinca. “Sabe aqueles micos que nunca ficam parados?” Ganhou o apelido, é claro. Hoje, é o Chiquinho que todos conhecem. ‘’Se estiver atravessando a rua e me chamarem Abelardo, penso que não é comigo”, diverte-se.

Trabalhou em casas de sucesso que marcaram os anos de 1970-80, como a Baiuca, o Paddock e as discotecas Ta Matete e Happy Day’s, entre outras. Em 1980, casou-se com Ana, até hoje ao seu lado. O casal teve três filhos: Ana Claudia, Willian e Tatiane. Na mesma época, conheceu os donos do Don Curro, que lhe convidaram para trabalhar no prestigiado restaurante espanhol. Ali construiria sua história, tornando-se mestre na arte de cortar presunto – espanhol, é claro – e ganharia o sobrenome.

“Chiquinho do Don Curro” se notabilizou como embaixador desse produto nobre no Brasil. Também se destacou no bar. Em 1981, ganhou o campeonato brasileiro na categoria de short drink, realizado no hotel Casa Grande, no Guarujá (SP). No ano seguinte, ganhou o campeonato de drinks tropicais realizado no Caesar’s Park, em São Paulo, que o classificou para vencer o campeonato nacional, no hotel Maksoud Plaza, na categoria long drink.

Chiquinho ficou no Don Curro até se aposentar. Mas, de temperamento inquieto, não parou de trabalhar. Gerenciou o restaurante Catedral, em Salvador na Bahia, fez eventos e deu consultorias na arte de fatiar presunto. Este ano, quando a restauratrice Sabrina Rios, que representa a terceira geração e proprietários do Don Curro, convidou Chiquinho para voltar, a clientela aplaudiu e não cansa de cumprimentá-la. A notícia fez sucesso nas redes sociais. Amigo dos amigos, Chiquinho é muito querido no ambiente de trabalho. Paralelamente, preside a ABB (Associação Brasileira de Bartenders) e divide seu tempo entre o Don Curro, a família e o neto Danilo, que já está com oito anos e adora o avô. (Thais Mandacaru)

Don Curro
Rua Alves Guimarães, 230, Pinheiros, São Paulo, tel.: (11) 3062-4712 / 5035-5600

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