Comida de rua na Ásia: uma viagem dentro da viagem

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A comida de rua na Ásia está em todo lugar, do vermelho de Seul a bolinhos na China, ensopados na Malásia, sanduíches no Vietnã

*Texto, fotos e vídeo: Thiago Minami

Na Ásia, a comida faz parte do espaço urbano. Não falo de fachadas bonitas e letreiros cool, nesta nossa era da propaganda, mas de clamados aos sentidos – todos eles – que tornam impossível a indiferença ao que as pessoas do local entendem por culinária. 

Em Kuala Lumpur, a comida indo-malaia
Em Kuala Lumpur, a comida indo-malaia

Sim, a comida está entre as pessoas, ali naquele espaço exíguo e intransponível entre transeuntes das grandes cidades. Mas não vamos mercantilizar a comida de rua, por favor. Os cheiros, por exemplo, podem ser agressivos. As barracas às vezes são obstáculos ao trânsito. Pode ser uma delícia, mas pode não ser. Confortável com certeza não é. É, sim, prático e rápido, sobretudo para quem está sozinho e não se sente muito a fim de ocupar uma mesa inteira no restaurante só para si.

Talvez seja por isso que, em muitas viagens pela Ásia, eu tenha almoçado ou jantado tantas vezes na rua. Em países como Taiwan, Tailândia, Coreia ou Malásia, trata-se de uma opção constante, certeira. E não precisa de um guia na mão para escolher, é só seguir o fator maria-vai-com-as-outras – se tem muitas pessoas disputando uma mesma barraca, é porque algo de bom deve ter. 

Pato assado, no Laos
Pato assado, no Laos
Petiscos em Seul
Petiscos em Seul

Ao comer na rua, todos à sua volta viram seus companheiros. E tem também a parte da vergonha dos outros, no caso de ser um desajeitado de nascença como eu. A comida escapa da mão, o garfo cai no chão, o molho suja a boca e cai na camisa. Daqui a pouco se é obrigado a abocanhar tudo de uma vez e virar um ogro verde na frente dos outros. E tudo bem, porque ali é a rua, todos ao redor desaparecerão em questão de minutos para possivelmente nunca mais surgir na sua vida.

Bahn mi, sanduíche vietnamita com influência francesa
Bahn mi, sanduíche vietnamita com influência francesa

Na Ásia, tem de tudo na rua. Pratos inteiros que são servidos na hora ou atirados em saquinhos plásticos desses de quitanda, num “para viagem” sem frescura. Snacks para o lanche, curries para a alma. No Laos, este país que encanta a todos seus visitantes, praticamente não existem restaurantes. Comer fora de casa é igual a sentar-se à rua servido de iguarias fresquíssimas, orgânicas sem o rótulo, que marcam tanto a memória quanto estrelinhas do Michelin. Não é exagero.

Para turistas, em Pequim
Para turistas, em Pequim
Peixes grelhados em Kuala Lumpur
Peixes grelhados em Kuala Lumpur

Em Seul, são os olhos que se esgotam com a comida toda. É vermelho por todos os lados de Dongdaemun – a pimenta que arde só de ver. No Vietnã, os sanduíches na baguete francesa são a marca da farra neoimperalista. Em Hong Kong e Taiwan, é impossível não ser atacado a longas distâncias pelo cheiro do chamado tofu fedido, nomeado sob as normas da sutileza local. Em Pequim, nas imediações da megalômana Wangfujing, a gringaiada delicia-se em fotos e vídeos dos petiscos bizarros – escorpiões vivos, estripulias assim – que se colocam lado a lado de coisas bem mais gostosas. Tipo bolinhos, petiscos, espetinhos e outros itens que são tantos que daria para passar a vida inteira comendo.

Tubos de moti ao molho superapimentado, em Seul
Tubos de moti ao molho superapimentado, em Seul

E por aí vai. As fotos complementam o que quero dizer. Não é nada, assim, sensacional. São pessoas vivendo – trabalhando, tendo pressa, comendo – em todos os cantos do mundo.

Lanchinho em Pequim
Lanchinho em Pequim
Doces no Camboja
Doces no Camboja

*Thiago Minami é jornalista. Viveu cinco deliciosos anos no Japão e esteve em países como Laos, Hong Kong e Taiwan.

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