Há exatos sete anos, nascia a Revista GOSTO, publicação que, sob comando do cronista gastronômico, J. A. Dias Lopes, virou uma referência dentro do cenário gastronômico do país. Não é por menos. A brasilidade é marca registrada da publicação desde sua Declaração de princípios, publicada no editorial da primeira edição.

No balanço geral, foram sete anos muito bem vividos, sempre ao redor de boas mesas, bons vinhos e, obviamente, boas histórias. A partir de hoje, o Portal GOSTO publicará algumas das reportagens e receitas que marcaram esses sete anos. E não poderíamos deixar de começar com a própria declaração citada acima.

DECLARAÇÃO DE PRINCÍPIOS

POR J.A. DIAS LOPES

img_2337GOSTO nasce com alma brasileira. Na verdade, deveríamos falar no plural, porque são duas revistas. Uma se estenderá pelos primeiros cadernos e estará voltada à gastronomia. A outra, aos vinhos. Enfim, duas revistas em uma, até porque GOSTO Vinhos deixará ocasionalmente de ser caderno especial e realizará voo solo. Sabemos das dificuldades do caminho. Não é tarefa fácil encontrar espaço no mercado brasileiro, onde a cada ano chegam às bancas mais de 3.000 lançamentos, dos mais variados assuntos. Mas temos redobrados motivos para confiar no futuro. Antes mesmo de nascer, GOSTO encontrou recepção calorosa, sobretudo dos anunciantes. No momento de ir à gráfica, já contava com publicidade suficiente para custear a primeira edição.

A maioria das pessoas com as quais conversamos elogiou o nome da revista e perguntou de onde o tiramos. Resposta: inspiramo-nos na obra-prima Fisiologia do gosto, com a qual o francês Jean-Anthelme Brillat-Savarin (1755-1826) fundou a literatura gastronômica. É um dos livros favoritos deste redator. Até hoje o mundo admira sua brilhante conjugação de ciência e literatura, o tom entre o esnobe e o divertido, enfim, a maneira como trata da comida e da bebida. Quanto ao slogan “Comer bem não faz mal a ninguém”, possui origem galega. Dele existem outras versões. A sabedoria popular espanhola também sentencia: “Um homem não se arruína por comer, beber e vestir bem”.

Na frase com a qual iniciamos este texto, afirmamos que GOSTO veio à luz com alma brasileira. Não se trata de expressão retórica. Sem criticar ninguém, algumas publicações nacionais sobre comida e bebida carecem de brasilidade – e por isso vamos explorar o filão. Evidentemente, ainda falaremos da culinária internacional, tanto da regional como a das espumas, por exemplo. Aliás, esta linha revolucionária se encontra tão em moda que os críticos apressados chegam a julgá-la cozinha definitiva – e não um movimento importante, porém passageiro, a exemplo do que sucedeu no século passado com a cucina futurista do italiano Filippo Marinetti e a nouvelle cuisine dos franceses Henri Gault e Christian Millau.

GOSTO informa que igualmente se ocupará de restaurantes e chefs do Brasil e do exterior; de viagens a lugares sedutores, com comida e bebida ótimas; de gente que convida os amigos na própria casa para confraternizar e se divertir em volta de uma mesa; de respeitáveis comilões e bebedores anônimos ou nem tanto; da familiaridade de figuras públicas com o garfo e a faca; de livros que, além de inteligentes, fazem-nos salivar; de alimentos com histórias e usos apetitosos; dos doces sedutores que, na manhã seguinte, atormentam-nos com a ressaca moral. Afinal, a palavra GOSTO não designa apenas o sentido através do qual percebemos o sabor das coisas. Para nós, também expressa um prazer incomensurável. Eis a nossa declaração de princípios.

assinatura

 

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here