Dedicação nordestina

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O maître-gerente do Varanda Grill, José Neudo, sorrindo

Para José Neudo, maître-gerente do Varanda Grill, de São Paulo, seus conterrâneos são muito profissionais quando trabalham nos restaurantes

Por: Isabella Hotte
Foto: Luiz Henrique Mendes

José Neudo é maître-gerente do restaurante Varanda Grill no Shopping Center JK, em São Paulo. Um longo caminho desde que deixou a pequena Guaraciaba do Norte, de 38 mil habitantes, a 299 quilômetros de Fortaleza. Neudo tinha apenas 17 anos quando desembarcou em São Paulo, em busca de oportunidades. Hoje, é um dos profissionais do ramo mais competentes da cidade.

“Meu primeiro contato com uma churrascaria foi na já extinta Costela de Ripa”, conta. “Fiquei por lá o tempo suficiente para me familiarizar com a profissão.” Logo veio o convite para trabalhar em uma grande cadeia de restaurante, o Rubaiyat, onde permaneceu por 13 anos. “Era a minha grande oportunidade”, lembra. “Enfim, uma casa com muitas filiais onde eu poderia me aprimorar e ter uma carreira dentro da empresa.” Neudo estava certo. De cumim (ajudante de garçom) galgou posições até chegar a maître. De quebra, teve alguns convites para trabalhar fora do país, que deixou de aceitar. “Não queria deixar minha esposa e minhas filhas, pois sou muito ligado a elas”, explica.

Este vínculo também se estende aos clientes, que o acompanharam na mudança de estabelecimento. Lembra que alguns deles, como o empresário Fernando Garnero, chegam a passar o dia no restaurante. “Há outros clientes como ele”, conta. “Aparecem para almoçar e acabam jantando.” Neudo emenda, rindo: “Devo ter uma conversa muito boa”.

A facilidade de comunicação e a boa conversa o levaram a dar aulas para os funcionários do restaurante. “Procuro passar para eles tudo o que aprendi durante todos estes anos”, diz. Um fenômeno que Neudo constatou: os nordestinos sempre são mais aplicados, não faltam de forma alguma e estão sempre dispostos.

Como bom cearense, ele procura sempre visitar nas férias a terra natal. “O Ceará cresceu muito nas últimas duas décadas e Guaraciaba também se desenvolveu bastante”, avalia. Na minha época, muita gente, como eu, queria sair de lá e vir para a cidade grande. Hoje, isso nem passa pela cabeça deles. Devo ser um dos poucos guaraciabenses de São Paulo.”

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