Gero eu gosto

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Texto e fotos Braulio Pasmanik*

Para fazer uma crítica séria sobre um restaurante, costuma-se fazer três visitas. Dessa forma, percebe-se com mais segurança, o desempenho da cozinha e do serviço, descontando então eventuais apuros que todo restaurante passa, como casa muito cheia, casa muito vazia, falta de funcionários, erros na boca do fogão ou tantas outras variáveis, tão comuns e que modificam radicalmente o ritmo da casa.

Fui domingo, almoçar no Gero.

Passada a semana do Carnaval, todos os paulistanos resolveram ficar na cidade. Quem mora por aqui, percebe fácil, pelo trânsito, pelos shoppings lotados, pelas buzinas e claro pelos restaurantes lotados.

O Gero, no caso, não foi exceção. Quando sentei para comer, havia pelo menos cem pessoas esperando.

Comecei então a observar o ritmo do lugar. Os maitres, solícitos, davam atenção alternada às mesas e aos que sentados no bar esperavam.

Garçons ágeis, numa velocidade maior do que a costumeira, tratavam de abastecer as mesas, sem tropeços e stress.

Pedi o cardápio e escolhi.

Ismael, que é o gerente e uma das pessoas que dominam como ninguém a arte de ser cortês, me sugeriu o fígado a veneziana, com fartura de cebolas e sabor de Veneza. Estava espetacular.

Minhas mulheres (mãe e filhas já que Amália, minha mulher estava viajando) optaram por uma massa fresca que lembra o spaghetti, no alho e óleo, acompanhada de tomate, lula e camarões.

Para acompanhar, o branco do Veneto, do grande produtor de Amarone, Giuseppe Quintarelli, importação da Mistral.

figado-geroVoltando ao começo do texto, as chances para sair um fígado muito passado, massa muito cozida ou lula fora do ponto eram enormes. Mas no Gero isto não existe! Não há apuro que tire o ritmo perfeito do restaurante!

E aí você começa a entender o que a palavra “restaurateur” significa. Domingo, às 14h30 entra Rogério Fasano. Enquanto provavelmente a maioria dos donos de restaurante está em casa curtindo os filhos ou o sol agradável daquela tarde, ele vai passando, cumprimentando as pessoas. Mas, principalmente examinando cada prato, cada mesa, cada detalhe.

O resultado é o que todos os restaurantes deviam perseguir. Serviço e cozinha afinados e competentes, que transformam a sua refeição numa sequência de bons momentos.

*Braulio Pasmanik gosta de cozinhar, comer, beber e viajar. Nas horas vagas, escreve sobre os quatro assuntos de que gosta.

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