Guia do lámen: onde comer em São Paulo

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*Por Thiago Minami (thiago@revistagosto.com.br)

O lámen tem uma história interessante. Nasceu na China, sabe-se lá quando, e foi levado ao Japão lá por 1900. Adaptou-se ao sabor local, com um caldo mais encorpado e versões à base de missô e shoyu.

No pós-guerra, já na década de 1970, virou ração dos trabalhadores incansáveis, sem tempo para cozinhar, na versão pronto-em-5-minutos. Foi assim a que a empresa Nissin Lámen o conduziu ao resto do mundo. A própria imagem da nova e deteriorada alimentação do boom econômico.

Só que aí os tempos mudam, e o instantâneo passa a ser mal visto. O lámen fresco, feito nos restaurantes, deixa as bocas dos jovens famintos e de apressados salaryman (os engravatados símbolos da recuperação nipônica) para chegar ao cenário gourmet dos Estados Unidos. Há quem diga que se tratou de uma sagaz campanha de marketing.

E de lá para o Brasil. Hoje já são algumas opções em São Paulo, com espaço para outras, a julgar pelas filas em frente às casas mais disputadas. Veja abaixo um guia das casas mais famosas de lámen – ou ramen, como é conhecido no Japão e no resto do mundo.

Lámen em São Paulo

Aska (R. Galvão Bueno, 466, São Paulo-SP, tel.: 11 3277-9682. Não aceita cartões.)

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É o mais tradicional da cidade. Chegou bem antes da moda, numa época em que eu saia da aula de japonês na R. São Joaquim para dividir lugar com clientes quase todos de olhos puxados. Tem seus grandes fãs, que invariavelmente formam fila na frente da casa para saborear o prato a preços excelentes – menos de R$20.

Nossa sugestão: Lámen Kazu. (Novo endereço: R. Thomaz Gonzaga, 90, 2ºandar, Liberdade, São Paulo-SP, tel.: 11 3277-4286. Aceita cartões de débito e crédito)

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Em ambiente novo desde meados de março, agora ocupa o segundo andar do Espaço Kazu, na mesma rua. Destaca-se por usar ingredientes importados, o que confere sabor mais próximo ao original feito no Japão. Também costuma ter filas na porta. É o meu preferido, sem dúvida, não fosse pelo preço: o lámen gira em torno de R$30.

+ Conheça o primeiro noodle bar do Brasil.

Delica Hatiko. (R. Galvão Bueno, 467, São Paulo-SP, tel.: 11 3207-6206. Aceita cartões de débito)

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Recém-inaugurado bem em frente ao Aska, tem lámen e curry no cardápio (no local funcionava uma casa de udon, que fechou…). O sabor do caldo é de lámen caseiro, talvez por juntar frango e porco na receita – em geral, costuma ser feito sem a ave. A porção é menor que a do Kazu, mas o preço é melhor: R$18, em média.

+ Veja mais sobre comida japonesa. 

Mugui (Rua da Glória, 111, Sala 11, Liberdade, São Paulo–SP, tel.: 11 3106-8260 Aceita cartões de débito)

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Um balcão enorme, que se estica e enrola como uma serpente, com vista para a cozinha. Serve lámen, sim, e também udon, sobá, lámen da vovó, teishokus com pratos meio chineses, tipo carne com brócolis, e domburis (arroz com qualquer coisa em cima), com e pudim de leite de sobremesa. Sabor bem caseiro e preço em torno de R$20.

Sakagura A1 (R. Jerônimo da Veiga, 74, Itaim-Bibi, tel.: 11 3078-3883. Aceita cartões de débito e crédito)

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Fora da Liberdade, o Sakagura A1, casa do chef Shin Koike, tem ambiente elegante e preços mais elevados. Indicado para quem pedir um lámen, mas não só – o forte é a combinação de pratos, petiscos e bebidas com cara de izakayá chique.

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No Japão, é comum pagar o lámen numa máquina destas

*Thiago Minami é jornalista. Viveu cinco deliciosos anos no Japão e esteve em países como Laos, Hong Kong e Taiwan.

8 COMMENTS

  1. algum lamen com caldo vegetal? (vegetariana aqui…rs!)
    Sei q no aska, porque sim e kazu fazem somente a receita tradicional… Se algum chef se propusesse a fazer uma receita de lamen para vegetarianos eu ficaria muito feliz (por enquanto faço o meu em casa~~ caldo de legumes com missô!)

    Grata!

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