História rica

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O importador curitibano Paulo Roberto Blauth de Souza, dono da Obra Prima, teve uma longa trajetória antes de se tornar um bem-sucedido importador de tintos e brancos

Por Walterson Sardenberg
Foto António Rodrigues

A vida muda, os vinhos mudam, nós mudamos. A frase poderia ser um resumo da trajetória de Paulo Roberto Blauth de Souza. Confesso apreciador de um whisky no passado, este curitibano bem-humorado tornou-se um entusiasmado admirador de vinhos. O Scotch ficou para trás, como as batalhas épicas nas Highlands do século XI. Hoje, Paulo tem especial apreço pela evolução ocorrida na produção de vinhos da Argentina e do Chile. “Eram amadeirados demais”, avalia. “Tornaram-se muito bons, graças ao empenho técnico e à consciência ecológica.”

Desde 2004, ele importa vinhos. Assim como aconteceu com a produção vinícola de América do Sul, sua empresa, a Obra Prima, passou por uma ampla expansão. A importadora paranaense agregou conhaques, licores e azeites à carta. Agora, move-se trazendo ao Brasil produtos de seis países — Argentina, Chile, França, Itália, Espanha e Portugal. A partir do início de 2012, vinhos da Austrália também estarão neste rol.

“À maneira dos sul-americanos, os australianos evoluíram demais nos cuidados com a produção”, resume. O forte da Obra Prima ainda é o vinho, claro. São 180 rótulos de 21 produtores, totalizando 1,5 milhão de garrafas ao ano.

Os números impressionam, mas Paulo não quer aumentar sua carta além da conta. “Minha filosofia não é o volume, mas a qualidade”, pontua, antes de tecer loas à tradição de vinícolas que representa, muitas delas centenárias. Entre outras, a Obra Prima tem parcerias com a francesa Château Chérubin (“Fazem um Saint-Émilion grand cru fantástico”), a espanhola La Navarra (“Produzem maravilhas desde 1831”) e a italiana Schenk (“Trabalham com ótimas bodegas de todo o país”). A cada referência, fica imbuído de empolgação. Eis o traço de comportamento típico de um empreendedor de sucesso.

Paulo tem orgulho de ter se envolvido, ao longo da vida em diversas áreas de negócios. “Só não vendi bengala para cego e chupeta para criança”, diverte-se. Nos anos 1960, trabalhou com Nelson Rockfeller, da Cargill Agrícola, na implantação da cultura da soja no Brasil. Depois, teve fazendas de gado Nelore no Mato Grosso do Sul, o que o obrigou a enfrentar durante anos o calor de Cuiabá. De volta à temperatura mais amena de Curitiba, montou uma empresa de logística de transportes, que ainda comanda. Foi o passo decisivo para abrir a Obra Prima. Sua holding engloba, ainda, uma fábrica de sucos 100% de uva, a Serra da Uva.

Assim como trocou Curitiba por Cuiabá e vice-versa; e aboliu na dieta pessoal o whisky em favor dos vinhos, Paulo Roberto Blauth de Souza segue aprendendo e mudando, procurando o melhor. Como os melhores châteaux.

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