Manioca, quando o comum vira excepcional

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Texto e fotos Braulio Pasmanik*

Na véspera da abertura do Manioca, restaurante no Shopping Iguatemi, em São Paulo, eu estava ao telefone com meu amigo Daniel Redondo, chef e um dos donos do Maní, batendo papo, matando saudades.

Eis que de repente ele fala: “Braulio, você poderia vir depois de amanhã experimentar alguns pratos.”

Eu, que tenho Daniel como um dos melhores, se não o melhor chef atuando em nosso tão querido e abusado Brasil, não hesitei.

Meu primeiro compromisso gastronômico do dia já tinha sido uma maravilha, apesar de intenso, mesmo para o mais paranoico chocólatra. Fui mais uma vez um dos provadores do ranking de ovos de Páscoa que o caderno Paladar do Estadão elabora todo ano.

Depois de uma pausa de 2 horas para recuperação, lá estava eu no surpreendente espaço criado dentro da Livraria Cultura do Shopping Iguatemi, pronto para o que seria um dos melhores jantares desse ano.

chefe-marcelo-almeidaA elaboração dos pratos ficará a cargo do competente Marcelo Almeida, 37 anos, sendo 7 anos na cozinha do Maní.

A cozinha é super equipada, com espaço para sofisticações como o forno Josper que usa carvão e permite a elaboração de pratos com sabores de fogo e fumaça.

E a gerencia do salão a cargo de Ana Barbieri, uma especialista no trato gentil que tão bem caracteriza as casas do grupo.

salada-de-beterrabaComecei meu jantar com uma salada de beterrabas assada com ricota defumada. A textura cremosa da ricota envolve os sabores doces e picantes da beterraba, criando um sabor exótico e delicioso, que ainda se mistura a pistaches crocantes e cranberries.

 

 

arroz-de-polvoApós a salada, Daniel serviu um arroz de polvo pleno de aromas ibéricos, feito com o arroz bomba usado em paellas, crocante e com um delicioso tentáculo de polvo .

 

 

 

frango-assadoEm seguida, dois pratos que Daniel chama de clássicos e eu chamo de excepcionais, porque tratam de produtos do dia a dia, com tratamento gourmet do mais alto nível. A sobrecoxa de frango, cozida a baixa temperatura e servida com uma admirável pamonha assada, pode se referir a produtos de uso corriqueiro. Mas é justamente a arte de transformar o comum em excepcional que mostra o talento de um grande chef.

 

carne-de-panelaJá não havia espaço quando experimentei um segundo exemplo do mesmo tema: carne de panela com legumes grelhados. Tão simples quanto bom!
 
 

 
  

 
torta-de-macaA sobremesa repete a filosofia da simplicidade sofisticada. Torta de maçã, sorvete de canela e pedras de nata.

O Manioca (que é o mesmo nome do espaço ao lado do Maní disputado por dez entre dez organizadores de eventos da cidade) tem uma lista de belisquetes daquelas que atrapalham a refeição porque não dá para pedir uma opção só. Por isso, eleja sua prioridade e vá ou com a ideia de sentar com sua turma para beber e beliscar, ou opte por uma refeição tradicional com grandes pratos. Aliás, outra boa novidade é que o Manioca oferece a possibilidade de tomar três taças pequenas de diferentes vinhos em diferentes combinações por um preço muito razoável.

Por último, o Manioca ainda juntou os produtos da Padoca ao seu menu. Assim, sanduíches ótimos também fazem parte do jogo.

Bom, a essa altura acho que você já percebeu qual vai ser o grande problema. Apesar da oferta de lugares ser bem maior que as outras casas, prepare-se para escolher um livro na Livraria Cultura enquanto espera sua mesa!

*Braulio Pasmanik gosta de cozinhar, comer, beber e viajar. Nas horas vagas, escreve sobre os quatro assuntos de que gosta.

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