Novos caminhos

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Há sempre muito o que ver em Portugal quando se trata de vinhos. Eis o exemplo de 14 produtoras, entre novas e tradicionais, que traduzem a atual vitivinicultura do país

Por José Maria Santana

Na bela paisagem de Albernoa, no Alentejo, sudeste de Portugal, os irmãos Paulo e João Soares administram a Herdade da Malhadinha Nova, que busca produzir apenas vinhos de alta gama. Para terem liberdade de produção, seus tintos e brancos saem genericamente como Vinhos Regionais do Alentejo, e não com uma DOC específica. Mas a casa não é só vinhos. Em seus 253 hectares, dos quais 27 ocupados com uvas, também há um magnífico hotel rural e spa, restaurante, criação de porco preto e plantação de frutas. Mais ao sul, já na região do Algarve, o alemão Karl Heinz Stock comprou em 2007 a Quinta dos Vales, com 60 hectares, onde antes havia apenas cultivo de frutas, e implantou um projeto ousado que se assenta em três eixos – vinho, arte e turismo. Artista plástico e empresário, Stock espalhou pelas áreas ao redor da adega, e no meio dos vinhedos, esculturas imensas de mulheres nuas em passos de dança, ursos, elefantes e outros animais. Com ideias diferentes, os irmãos Soares e o empresário alemão mostram os novos caminhos que a vinicultura segue em Portugal.

Os empreendimentos mais recentes se somam às grandes empresas tradicionais, como a Herdade do Esporão, no Alentejo, ou José Maria da Fonseca e Bacalhôa Vinhos, ambas da Península de Setúbal. Grandes e pequenos, novos ou consolidados buscam alternativas para estes tempos de crise econômica, que já influencia o perfil das vendas. Antes, grosso modo, 65% dos rótulos portugueses eram comercializados no mercado nacional e 35% no exterior. Com as dificuldades enfrentadas pela população do país, o consumo de vinhos tende a cair e hoje a divisão é meio a meio. Levam vantagem as casas que se prepararam melhor para competir no concorrido cenário internacional ou que adotam um modelo integrado, com várias fontes de receita, além do vinho.

Há sempre muito o que ver quando se trata de Portugal. Vamos mostrar aqui o exemplo de 14 vinícolas, visitadas em duas viagens, que traduzem o que se faz no país atualmente. Elas podem ser divididas em três grupos: cinco representam empreendimentos novos, a partir do zero; outros seis também são recentes, implantados por produtores com tradição familiar anterior na vinicultura; e três são tradicionais empresas de porte, bastante atuantes no mercado. Algumas das safras dos vinhos provados ainda não estão à venda no Brasil, mas servem de referência para as edições anteriores, presentes no catálogo das importadoras.