O balcão faz a diferença

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Instalado entre a varanda e o salão, ele deu vida nova ao restaurante carioca Bazzar, sintetizando o melhor da formalidade e da informalidade

Por Nero D’Ávila
Foto: Rogerio Resende/Divulgação

Um restaurante não é um balcão. Mas um restaurante pode incluir um balcão e, ocasionalmente, o balcão pode se tornar a melhor expressão do restaurante. É assim no Bazzar.

Situado num dos pedaços mais chiques do Rio de Janeiro — e do mundo —, em plena Ipanema, o Restaurante Bazzar nasceu em 1998. Desdobrou-se em dois cafés (Ipanema e Leblon) e numa linha de produtos. Recentemente, porém, viveu talvez sua maior revolução, e ela foi interna: a inclusão de um balcão frontal, intitulado Bubble Bar, que articula a varanda ao salão.

São 14 lugares, os melhores, e eles sintetizam a combinação perfeita entre a informalidade da varanda e a formalidade do salão, entre o espaço aberto da rua e o ambiente fechado da casa. Não por acaso, o balcão capta a atenção imediata do comensal.

O cardápio, bastante diversificado, se divide nas seções “para um”, “para dois”, “tapas”, “entradas” e “pratos principais”. Elas ocasionalmente se sobrepõem e parte dos itens pode ser preparada em versões reduzidas ou maiores. Nas duas visitas, a cozinha mostrou melhores resultados com as porções pequenas — casos do bom carpaccio de pato com queijo de cabra e tomilho e do mix de brotos com tomate e feijão-manteiga de Santarém.

O sanduíche de cordeiro no pão ciabatta com pesto de hortelã e chutney de abacaxi, associação de gostos marcantes, estava excelente. Já a bochecha de wagyu preparada na cerveja Stout e servida sobre purê de cará, embora agradável, carecia de sabor mais destacado, mesmo caso do namorado grelhado com arroz de sete grãos e cítricos. Dois atraentes itens do cardápio — a moquequinha de ostras e o tartare de cavaquinha — infelizmente não estavam disponíveis nos dias das visitas.

Entre as sobremesas, o maior destaque foi a torta mousse de cupuaçu com castanha de caju e chocolate: bons ingredientes e bom preparo garantiam seu equilíbrio e sua intensidade.

Sentado ao balcão, pode-se pedir diretamente à sommelière os itens da variada e bem construída carta de vinhos ou, melhor, alguma taça dos vinhos do dia: a escolha pode recair, por exemplo, num espumante ou num dos jereces, vinhos normalmente esquecidos dos restaurantes brasileiros e que comparecem, no Bazzar, com cinco rótulos interessantes.

Taça na mão, é só deixar o tempo fluir, observar o movimento dentro e fora do restaurante, compreender que um restaurante pode se expressar melhor conforme sua arquitetura — o que, aliás, vale também para tantos humanos, que precisam de revoluções internas para definir plenamente seu perfil e sua identidade.