O chocolate também é natalino!

Há séculos enaltecido como estimulante da inteligência, do ânimo e da sensibilidade das pessoas, o chocolate marca presença também nas tradições natalinas

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Por ser habitualmente o grande destaque da Páscoa, o chocolate parece ficar esquecido quando falamos da fartura das mesas de Natal. Mas, na verdade, nessa época do ano temos o segundo maior consumo das delícias feitas com o produto extraído do fruto do Theobroma Cacao (cacaueiro), que significa alimento (ou bebida) dos deuses.

Evidentemente, em sua longa história, com origem na América do Sul pré-colombiana, o chocolate não foi sempre essa delícia que consumimos hoje. Do cacau, os maias faziam uma bebida agridoce, gordurosa e picante. Só começou a ser difundido na Europa pelo conquistador do México, o espanhol Hernán Cortés, no século 16, mas ainda como uma bebida estranha. Essa preparação ficou um pouco melhor quando combinaram a amêndoa do cacau com açúcar e canela e, depois, baunilha.

Sua condição começou a caminhar em direção aos sabores e texturas atuais graças ao químico holandês Coenraad van Houten, que em 1828 conseguiu patentear um processo de fabricação de um novo tipo de chocolate em pó, com significativa redução de gordura, criando ainda um tratamento alcalino que removia parte do amargor deste pó. E foi justamente nessa mesma época que o chocolate passou a marcar presença em diversas tradições natalinas mantidas até hoje.

Desde a segunda metade do século 19, o creme de chocolate é a cobertura e o recheio mais usados no ‘bûche de Nöel’ (tronco de Natal), doce obrigatório nas mesas de Natal da França, Bélgica e outros países de mesmo idioma. Em boa parte do Leste Europeu, o chocolate costuma ser uma das guloseimas deixadas por São Nicolau, e não Papai Noel, nas botas ou meias das crianças, no começo de dezembro. Nessa mesma região, as pessoas têm a tradição de distribuir moedas de chocolate, pois outra lenda diz que São Nicolau teria deixado sacos com moedas de ouro para um pobre pai que não tinha nenhum dote para casar suas filhas. O calendário do Advento, que marca a contagem dos dias de dezembro que antecedem ao Natal, foi criado na Alemanha em 1851, pelos luteranos, e costuma trazer, entre outras miudezas, pequenos chocolates em algumas de suas 24 janelinhas.

Até o tradicional panettone não resistiu ao cacau. Há quase 40 anos, para alegria dos desafetos das frutas cristalizadas, o panettone ganhou sua primeira versão com gotas de chocolate, evoluindo depois para novas opções com mousses, cremes trufados, brigadeiros e nutella.

Mas se voltarmos ao final do século 18, o francês Brillat-Savarin (1755-1826), precursor da ciência da gastronomia, já afirmava que “as pessoas que consomem chocolate são as que gozam de saúde mais constante, e as menos sujeitas a uma série de pequenos males que perturbam a felicidade da vida”. Diante disso, a Revista GOSTO, inspirada por este pensamento de Savarin, deseja saúde e felicidade neste Natal, com três incríveis receitas de sobremesas de chocolate! Três estilos bem diferentes, preparados por três renomados profissionais da nossa pâtisserie.

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Por Marilena Bernicchi

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