O Prosecco se renova

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Um grupo de produtores das comunas de Conegliano e Valdobbiadene, no Vêneto, investe para colocar este vinho entre os bons espumantes da Itália
Texto e Foto por José Maria Santana

Muita gente no Brasil conhece o Prosecco italiano como aquele espumante leve, algo adocicado, oferecido em festas de casamento, lançamento de livros e vernissages. Uma bebida, enfim, que não chega a entusiasmar. Mas um grupo de produtores participa de um forte movimento nas comunas de Conegliano e Valdobbiadene, no Vêneto, para renovar este vinho e colocá-lo entre os bons espumantes da Itália. Entre outros, podem ser mencionados Nino Franco, Bisol e Sacchetto. “Temos uva, tradição, terroir e tecnologia para fazer Proseccos de classe”, diz Federico Dal Bianco, diretor da Masottina, empresa familiar de Conegliano, a 60 quilômetros de Veneza, que integra o seleto grupo de vinícolas. Com o mesmo cuidado, a Masottina também elabora vinhos brancos e tintos de mesa de grande categoria.

O Prosecco é produzido pelo método Charmat. Consiste em fazer a segunda fermentação — que agrega as borbulhas e a espuma — em cubas fechadas de aço inox. O movimento de transformação ganhou força com as mudanças na legislação que regulamenta o Prosecco, em 2009. A começar pelo nome da uva. Antes era chamada igualmente de Prosecco. Isso provocava uma confusão no mercado, pois vinícolas de outros países, como o Brasil, aproveitavam a onda de sucesso do espumante e ofereciam seus próprios rótulos com a menção desta casta. Era tudo Prosecco. Para evitar esse desalinho, a uva passou a ser identificada como Glera e, por acordos internacionais, o título Prosecco destina-se exclusivamente ao vinho borbulhante produzido na região italiana demarcada.

Federico Dal Bianco lembra que houve outra alteração mais importante, a classificação dos estilos. Agora há dois grupos de Prosecco. O genérico, DOC, pode ser produzido em uma região ampla que abrange todo o Vêneto e uma parte do Friuli. Já o Superiore, DOCG, vem apenas das terras de Conegliano e Valdobbiadene. Nesta categoria superior há ainda distinção especial para os espumantes de duas zonas, Rive e Cartizze. A DOC Prosecco produz cerca de 200 milhões de garrafas por ano. E a DOCG, 67 milhões. A Masottina, por exemplo, elabora com Glera o bom Prosecco Superiore le Rive di Ogliano DOCG Extra Dry Millesimato e o notável Prosecco Superiore DOCG Brut, cítrico, seco, com uma acidez cortante e ótimo frescor.