O rei das festas

0
1670

Dono da Rebela, importadora que se destaca no segmento de frutas secas

Por Claudio Fragata
Foto António Rodrigues

O empresário Reovaldo Rebelato está sempre muito ocupado. Ele é um dos sócios da importadora Rebela Comercial e Exportadora Ltda., de São Paulo, fundada em 1993, e que, como o nome já denuncia, é uma empresa familiar. Seus dias são repletos de reuniões, telefonemas e decisões a tomar. Até aí nada de muito novo. O grau de responsabilidade pessoal em empresas familiares costuma ser muito alto. Entretanto, nesta época do ano, marcado pelas festas de Natal e Ano-Novo, seu trabalho é redobrado. Não é para menos. Um dos ramos mais fortes da Rebela é a importação de frutas secas.

Rebelato não reclama do excesso de compromissos porque tem muito gosto pelo que faz. Garante que essa demanda leva a níveis cada vez mais altos de qualidade e exigência. “Se não somos os maiores, estamos certamente entre os melhores”, afirma, sem esconder a satisfação. A excelência dos produtos que importa é quase uma obsessão. Afinal, o lema da Rebela é levar para o dia-a-dia de seus clientes a parte mais gostosa da vida.

E qual é essa parte? Vem de todos os cantos do planeta: tâmaras da Tunísia; amêndoas, ameixas, cerejas e passas do Chile; pistache, nozes e amêndoas laminadas dos Estados Unidos; figos secos, avelãs com casca e sem casca, damascos e tomates secos da Turquia; azeitonas e peras secas da Argentina; passas brancas do Irã e África do Sul. “Só trabalhamos com frutas de alto padrão. Sendo assim, a gente traz, seja de que país for”, declara. Mas produtos nacionais com a mesma característica, também tem vez. A Rebela vende castanha-do-pará, castanha de caju e amendoim torrado “made in Brazil”.

Além de fornecer frutas secas para a indústria alimentícia, redes de supermercados e restaurantes, Rebelato diz que, nos últimos 12 anos, o mercado cresceu muito em função do consumo direto. Segundo ele, isso está relacionado ao aumento do poder aquisitivo das classes B e C: “É um caminho sem volta”, garante. “Depois de experimentar um azeite extravirgem, quem é louco de voltar a consumir um azeite de baixa qualidade?” Acrescenta que o desenvolvimento da gastronomia brasileira também contribuiu para aquecer o mercado e refinar paladares. “Sementes e frutas secas são produtos versáteis, podem ser consumidos tanto como aperitivos quanto ganhar sofisticação nas mãos dos chefs e dos patissiers.”

Catarinense de Seara, Rebelato veio para São Paulo a passeio. Tinha 18 anos e foi ficando na cidade: “Sabe como são os jovens”, lembra. “Meu dinheiro acabou em uma semana e tive de arrumar um emprego.” Trabalhou primeiro no departamento de recursos humanos (“Não sabia nada de nada”), depois passou à área de frigoríficos e, por fim, chegou ao Atacadão, do grupo Carrefour (“Essa foi a minha escola”). Lá tornou-se gerente e só deixou a empresa para abrir seu próprio negócio. “Depois de mais de 40 anos vivendo em São Paulo, já me considero paulistano”, brinca.

Rebelato tem dois filhos, Cristiane, de 33 anos, e Ricardo, de 36 anos, e dois netos, Fabrício, de oito anos, e Valentina, de 2 anos. O filho Ricardo ocupa o cargo de diretor na Rebela. Pensando em se aposentar aos 65 anos, ou seja, daqui a quatro anos, Rebelato acredita que Ricardo saberá conduzir a empresa com sucesso, já que os filhos da sócia Maria Augusta Carrieri têm outros interesses: “Ele é um ótimo filho e um profissional talentoso”, orgulha-se. “A relação que temos no trabalho é diferente da que temos em família porque minha vontade é passar para ele tudo o que sei. Por conta disso, Ricardo é quem toma mais chamadas dentro da Rebela, já que com os empregados não posso ser tão duro”.

Rebelato acredita que a maior lição deixada ao filho foi cultivar, acima de tudo, a lealdade, a honestidade e a humildade (“Três coisas que prezo muito. Não temos esse negócio de soberba por aqui”). Brincalhão, Ricardo concorda com o pai, e acrescenta: “Com ele aprendi a trabalhar e ainda aprendo todos os dias”.

SEM COMENTÁRIOS