Para adoçar a saudade

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Os adultos suspiram pela bala de coco, que reconquista seu lugar entre as guloseimas das festas de infância

Por Suzane G. Frutuoso
Foto Reinaldo mandacaru

Ao desembrulhar o papel colorido com franjinhas, ela aparecia, branquinha, açucarada e perfumada. Mas apresentava-se igualmente apetitosa quando vinha sem a embalagem. Era servida como lembrança nos aniversários infantis ou pelas avós e madrinhas aos netos e afilhados que as visitavam. Daí porque os adultos de hoje têm saudade dela. Já foi considerada até démodée. Entretanto, a bala de coco está reconquistando as crianças. Volta a ser saboreada nas festas infantis, disputa espaço com o brigadeiro e outros docinhos. Sem contar que, em alguns restaurantes, é servida no pires da xícara do cafezinho, tomando o lugar do chocolatinho e do cantuccini. É na verdade uma delícia brasileira, com ar vintage. A doceira Luzinete Veiga, de São Paulo, que preparou a receita desta reportagem, oferece uma explicação: “O retrô está na moda e a bala de coco é uma delícia”. Ela prepara a especialidade há mais de 40 anos.

A origem da receita seria árabe e da Idade Média, tendo como ascendente o alfenim – docinho de açúcar, seco, muito branco, moldado em forma de flores, animais, cachimbos, sapatinhos, chaves, entre outras figuras. Comparemos a bala de coco com ele. Nasce igualmente de uma pasta de açúcar e água, modelada artesanalmente. Para quem não se render à sua versão industrializada, é bom saber: necessita-se de força nos braços para prepará-la e dar-lhe o ponto certo (quando fica leitosa e com cor de pérola).

Foi no Brasil que se adicionou o leite de coco à massa de açúcar, fruto que já era consumido no Egito no século 6. Nossos coqueirais vieram pelas mãos dos portugueses, no início do século 16. O primeiro contato dos lusos com o fruto se deu na Índia, durante a primeira viagem de Vasco da Gama. Por volta de 1545, o coco, conhecido como noz-da-índia, já havia aportado na Ilha de Santiago, em Cabo Verde. No ano de 1587, o cronista português Gabriel Soares de Souza registrou a origem do fruto e a facilidade com que se adaptou no Brasil. Sorte nossa que, combinando o coco com açúcar, desenvolvemos mais uma especialidade para adoçar a vida. Segundo uma versão, a bala de coco, que seria de 1898, carrega também uma lenda: saboreá-la traz sorte e felicidade.

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