Por Gianni Tartari, sommelier

Um magnífico jantar para 150 pessoas, no refinado Jockey Club de São Paulo, comemorou na última segunda-feira (22) os vinte e cinco anos de parceria entre o importador Ciro Lilla, da Mistral, e o produtor de vinhos argentino Nicolás Catena. Além dos bons negócios, os dois se tornaram amigos e a efeméride também foi celebrada pelas suas respectivas famílias, ambas representadas no evento.

Curiosidade: em seu discurso de anfitrião, Lilla contou que um quarto de século atrás, Laura Catena, filha de Nicolás, escreveu as condições para a primeira importação dos vinhos do pai em um guardanapo de papel e que esse é o único documento de compromisso com a Mistral desde então.

A Bodega Catena tem sede em Lujan de Cuyo, Mendoza. É uma vinícola famosa e respeitada em todo mundo pela qualidade dos seus brancos e tintos, tendo merecido pontuações altíssimas de críticos como os americanos James Suckling e Robert Parker. Seu grande destaque é o espetacular vinhedo Adrianna, situado 1.450 metros acima do nível do mar em Gualtallary, microrregião no Vale de Uco, em Mendoza. Ali, a temperatura mais fria é fundamental para incrementar a delicadeza de aromas e sabores nas uvas Chardonnay, Cabernet Sauvignon e Malbec, as únicas plantadas no local.

Eis os vinhos servidos no jantar do Jockey Club de São Paulo:

Angelica Zapata Chardonnay 2013
Representante fiel do microclima de altitude de Mendoza, esse Single Vineyard mostra uma cor dourada brilhante e ainda jovem. No nariz é bastante intenso nas notas cítricas, com toque mineral e uma lembrança da passagem por barrica. À boca é bem firme, com bom corpo, acidez justa e intensidade de frutas.

Catena Alta Chardonnay 2013
Elaborado com uvas dos vinhedos Adrianna, com solo calcário e clima frio, concentrando os componentes e dando um equilíbrio perfeito. Cor amarela clara, e bem jovem ainda. Nariz cheio de frutas e aroma mineral impressionante. À boca é encorpado, firme e com final muito longo.

Catena Alta Cabernet Sauvignon 2001
Vinho 100% Cabernet Sauvignon, tem suas raízes fincadas em solo argiloso no Lote 3 do vinhedo La Piramide e em solos arenosos do vinhedo Domingo. Sua cor é escura e profunda. Apresenta pouquíssimos reflexos de evolução na cor, mesmo com 16 anos! Nariz muito complexo, com frutas negras maduras, leve toque de especiarias. A sensação de boca é elegante, macia, refrescante em acidez e com estrutura, apesar dos taninos bem delicados.

Catena Alta Malbec 1995
Excelente oportunidade de provar um tinto do novo mundo com toda essa idade. Obviamente, foi muito bem guardado, o que dá pra notar pela sua cor, sem traços de evolução e pelo aroma limpo, intenso e sedutor. Comprova que os grandes vinhos de Mendoza merecem mais tempo de garrafa.

Nicolás Catena Zapata 2001 em Magnum
Grande vinho da família Catena, é um assemblage que muda a cada ano, porém mantém a Cabernet Sauvignon como predominante no corte com a Malbec. Aromas mais característicos da Cabernet Sauvignon em maior evidência e com gigante intensidade. Em uma garrafa Magnum (1,500 ml), a evolução do vinho é mais lenta. Isso nos leva a crer que esse 2001 ainda vai muito longe. Espetacular!

Catena Sémillon Doux 2012
Vinho doce, de sobremesa, ao estilo Sauternes, elaborado com uvas Sémillon atacadas pelo fungo Botrytis cinerea. Bem gostoso e equilibrado, acompanhou com dignidade as sobremesas: mil folhas de baunilha e mini crème brûlée.

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