Primeiro noodle bar do Brasil fica no segundo andar

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Recém-inagurado, o 2nd Floor Noodle Bar traz variações bem feitas de macarrão asiático em ponto escondido da Vila Mariana

*Por Thiago Minami (thiago@revistagosto.com.br)

Tem desses lugares escondidos, que você torce para dar certo pelas razões mais simples do mundo: a comida é boa, o preço é bom, o ambiente é legal.  Não se sabe o currículo do chef, não ganhou prêmio nenhum em guia de nada, sequer tem resenha nas páginas da revista local.

Numa rua residencial da Vila Mariana, a algumas quadras do Shopping Santa Cruz, está o primeiro noodle bar do Brasil. Fica no segundo andar de uma escola de gastronomia – daí o nome – e serve um cardápio fixo de entradas e massas com ascendência asiática, mais os buns recheados, ou pães chineses, que são aqueles brancos feitos só de farinha de trigo e água. Ainda há espaço para alguma emoção, com entradas e sobremesas que variam.

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O lugar é bonito, amplo, com uma mesa comunitária e outras menores. O balcão do mestre do noodle fica no fundo, aberto, com banquinhos para sentar em volta. No lugar da cara de restaurante étnico da Liberdade, reminiscências dos noodle bars britânicos e americanos, como o famoso Momofuku, do pop-star (e chef) David Chang, em Nova York.

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Aos pratos. A salada tailandesa tom sum, no cardápio do dia, é de papaia verde com cebola roxa, manjericão e camarão. Não tem a pimenta tailandesa que faz adormecer a boca. Ainda assim, o sabor sobrevive, porque tudo é fresco e bem cuidado. Tostado no maçarico, o camarão tem o sabor bom de chama na carne.

Salada
Salada tailandesa tom sum (fonte: Instagram)

O thai ramen leva caldo com leite de coco e cebola roxa, camarão e cebolinha. Pedi esse de propósito, porque usar leite de coco assim é arriscado. E deu certo. A base do caldo é de frango, para esse e para as outras massas. Tem, ainda, sobá gelado, lámen mais para o lado coreano, mais para o gosto japonês e domburis – o arroz com coisas por cima. (Explicação rápida: o cardápio usa nomes em inglês, talvez pela inspiração gringa, que utiliza a grafia ramen, a pronúncia nipônica para lámen).

thai ramen
Thai ramen: leite de coco no ponto certo

É legal e é ruim quando se come bastante e ainda se quer mais. O pão chinês recheado de porco apimentado (spicy pork) é BOM, sobretudo se você tem tendências a coisas que atraem paladares ogros. A carne é tenra de cortar com hashi, a pimenta é fresca, e o molho hoisin – chinês, preto, adocicado, um perigo em excesso – está muito bem dosado.

Spicy pork
Bun recheado com porco e pimenta: merece novas visitas

A essa altura, minha amiga tamborilava os dedos na mesa porque estava com pressa para ir a uma festa de coquetéis coloridos. E a atendente pergunta: quer sobremesa? Eu ia recusar, mas o namorado da amiga quis um cookie, e eu agradeci a ele por me dar a oportunidade de experimentar o arroz-doce tailandês. De novo, desafio, porque não gosto de arroz-doce.

Arroz-doce thai: melhor que já provei
Arroz-doce thai: melhor que já provei

O arroz macio, de grão curto, no caldo viscoso de leite de coco, doce nem de mais nem de menos. Pedacinhos de manga fresca, amendoim salgado por cima. Se mora longe da Vila Mariana e está em dúvida se deve ir ao não, esta é a resposta sem volteios para o enigma do oráculo. Vá, sim.

domburi
Domburi coreano de kimchi, ovo pochê, moyashi e manjericão

Pão chinês recheado + thai ramen + salada de papaia + arroz doce = R$78. Pela qualidade e apresentação dos pratos, valor justíssimo.

Pontos negativos: muitos termos com nomes estrangeiros sem explicação, só opções de cervejas caras. Abre só três vezes por semana, à noite.

2nd Floor Noodle Bar
Rua Leandro Dupret, 980, Vila Clementino, São Paulo-SP. Acesso pela estação Santa Cruz do metrô. Tel.: 11- 94163-6593. Horário: de quinta-feira a sábado, das 19h30 às 22h30. Sem acesso para deficientes. Só aceita dinheiro e cartão de débito.
*Thiago Minami é jornalista (thiago@revistagosto.com.br). Viveu cinco deliciosos anos no Japão e esteve em países como Laos, Hong Kong e Taiwan.

4 COMMENTS

  1. Quando fui, o ar condicionado estava ligado numa temperatura tão gelada, que nem o lamen mais quente conseguiria agradar a sensação térmica. Acho que os integrantes da cozinha não perceberam que os clientes não estavam ao lado do fogo, feito mendigos esquentado as mãos na fogueira.
    No mais, há outros lamens em São Paulo cujo sabor é bastante superior – destaque para o recém inaugurado Matsu, já citado nesse blog – e servido em lugares que não se apresentam como uma prova de resistência física para que se possa degustar a comida.

    • Olá, pedimos desculpas pelo ocorrido e agradecemos os detalhes mencionados, estamos trabalhando para corrigir erros que muitas vezes nos passa despercebido. E não hesite em nos comunicar no ato, estamos abertos para as críticas.

      Obrigado e espero que nos dê mais uma chance para mostrar nosso potencial, pois nosso caldo é uma variação da qual fazia no restaurante onde trabalhei no Japão e hoje aplicamos técnicas que aprendi nos restaurantes que passei, além de ser de frango fresco e sem hormônios, e não utilizar produtos industrializados.

  2. Passando para agradecer o nosso primeiro review!!! Ficamos muito contentes com a visita e espero vê-los novamente. Estamos trabalhando para melhorar cada dia mais nossos serviços, obrigado pelos detalhes, pelas criticas e pelos elogios, assim podemos entender melhor onde precisamos concentrar nossos esforços.

    Mais uma vez obrigado,

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