Publicitárias lançam a red ale Cerveja Feminista

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Criada para questionar as propagandas do setor, ideia surgiu após polêmico comercial da Skol para o carnaval. Só mais um sinal de quanto o machismo ainda é inerente a nossa cultura

*Por Suzane G. Frutuoso
Foto Divulgação

Passou da hora da sociedade entender que feminismo nada tem a ver com a busca pela supremacia feminina, com uma batalha para tirar direitos dos homens. Feminismo prega igualdade entre gêneros e respeito. Simplesmente pela condição masculina, muitos homens acreditam serem donos de um poder superior sobre a mulher que a obriga a aceitar violências físicas, verbais, sexo sem consentimento, salários menores mesmo que trabalhem mais e melhor do que eles. Isso só para citar bem brevemente algumas questões que fazem o feminismo, mais do que bandeira, permanecer uma necessidade.

E, infelizmente, ainda é inerente a nossa cultura o desrespeito ao feminino celebrado constantemente como apenas uma brincadeira sem consequências. Ai da mulher que não aceitar a piadinha! É mal amada, uma frustrada. As propagandas de cerveja no Brasil sempre reforçaram esse estereótipo. Há uns cinco anos, é verdade, aprenderam a maneirar. Focaram mais em cenas divertidas entre amigos, por exemplo. E quando parecia que podia melhorar, a Skol vai lá e pisa feio na bola com seu comercial de carnaval.

Com o slogan “Esqueci o não em casa”, sugerindo que a abordagem durante o xaveco carnavalesco não aceitaria não como resposta a uma investida, a empresa recebeu uma enxurrada de críticas na redes sociais, de mulheres e homens. Tanto se deu conta do erro que correu para gerenciar a crise e trocou rapidamente cartazes com frases como: “Quando um não quer o outro vai dançar”.

A crise, no entanto, já estava instalada e a mensagem anterior chegou a milhares de pessoas reforçando um imaginário coletivo de que a mulher tem que ser subjugada.

Mas como tem muita gente inteligente por aí, moças e rapazes decididos a tornarem nossa sociedade um lugar realmente decente, foi lançada há uma semana a Cerveja Feminista, uma red ale de produção artesanal. A ideia é de três publicitárias. “A publicidade de cerveja não pode continuar com o estilo de hoje. Resolvemos subir o site em três dias e fechar parceria com um produtor”, diz Maria Guimarães, 28 anos, uma das criadoras.

O tom vermelho da red ale, claro, tem todo um significado. Em sua descrição, a Cerveja Feminista promete ser refrescante, maltada, levemente lupulada e com final limpo. A garrafa de 600ml custa R$ 14 e pode ser encomendada pelo site www.cervejafeminista.com.br. Eu já pedi a minha. Afinal, nada melhor que abrir uma cerveja para acompanhar um bom debate na mesa do bar.

*Suzane G. Frutuoso é jornalista, mestre em Ciências Sociais, redatora-chefe da Revista GOSTO. E sabe que a comida desperta paixões, emoções, é sinônimo de afeto.
suzane@revistagosto.com.br