Quem nunca se confundiu ao ler “validade indeterminada desde que conservado em local seco, fresco e ao abrigo de luz” no contrarrótulo de um vinho? Acredito que seja essa frase, estampada em toda e qualquer garrafa, uma das culpadas pela disseminação desse mito.

De acordo com o Inciso IV – Artigo 19 – Decreto 2.314/97, que estabelece os itens obrigatórios na rotulagem de bebidas alcoólicas, “para as bebidas com prazo de validade não definido, deverão ser utilizadas as expressões ‘prazo de validade indeterminado’ ou ‘validade indeterminada’”. Ainda segundo o decreto, “o tempo em que o produto mantém suas propriedades, quando conservado na embalagem original e sem avarias, em condições adequadas de armazenagem e utilização”.

O vinho contém três elementos que, juntos, atuam como conservadores naturais da bebida: taninos (polifenóis provenientes da casca que contém resveratrol, substância antioxidante que é, inclusive, benéfica à nossa saúde), acidez (da constituição natural da própria uva) e álcool (resultado da fermentação alcoólica, ou seja, da transformação do açúcar e gás carbônico). A evolução desses três elementos deve garantir a longevidade da bebida, ou seja, o vinho não vai oxidar se armazenado nas condições ideais – assunto da próxima semana. Agora, além de pensar em termos de estrutura, é preciso pensar se o vinho ganha algo com a evolução. Se ele, de fato, vai evoluir.

Vamos pensar no caso de um Malbec feito para ser consumido jovem, com tanino, acidez e graduação alcoólica elevados. Em termos de estrutura, ele provavelmente aguentará muitos anos de guarda, mas dificilmente seus aromas e sabores vão acompanhar essa evolução. O vinho ficará cansado antes mesmo de chegar o seu período ideal de consumo, quando todos os elementos do paladar estiverem equilibrados.

Isso não quer dizer que não haja Malbecs longevos, com grande potencial de guarda. Pelo contrário. Mas esse potencial depende da qualidade da fruta colhida, do processo de fermentação e de envelhecimento da bebida.

Deve estar se perguntando como saber que vinhos são indicados para guarda. Gosto de apostar na recomendação do produtor ou da importadora, afinal o vinho varia de uma safra para outra. Mas tem uma listinha dos “clichês” para guardar na adega por uma década ou mais: Bordeaux Grand Cru, Borgonha Premier Cru, Barolo, Brunello di Montalcino, Chianti Classico Riserva, Rioja e Ribera del Duero Gran Reserva, Jerez, Douro, Vinho do Porto safrado, Champagne safrado.

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