Quando me perguntam qual o meu estilo preferido de cerveja, um grande vazio e uma enorme interrogação ganham espaço na minha cabeça. É… eu me rendo! Não consigo eleger um tipo de cerveja que seja o que eu mais goste ou que eu ache mais fantástico do que outros porque acredito que cada um deles tem sua razão de ser e cai bem com alguma ocasião. Mas entre essa imensa gama de possibilidades que esse milenar fermentado apresenta, eu confesso que há um, em especial, que me faz feliz: India Pale Ale. É clichê, eu sei, mas quando se trata de cerveja, uma série de sensações e recordações traz peso emocional a cada experiência que vivi, a cada aroma que senti e a cada gole que tomei. Depois da cerveja de trigo, o IPA é o primeiro estilo de cerveja artesanal que me lembro de ter provado em variadas versões, graças à crescente coleção de latas e garrafas de cerveja artesanal do meu marido.

Recentemente, depois de um dia duro, afinal, não está fácil para ninguém, abri uma American IPA de uma cervejaria de Porto Alegre, que sabe inserir muito bem em suas receitas essa planta considerada espinha dorsal da cerveja. A mudança no estado de espírito começa assim que a garrafa é aberta: o aroma fresco se espalha e não é preciso fazer nenhum esforço para sentir a citricidade presente na cerveja. Ao primeiro gole, a riqueza dos sabores, que lembram frutas amarelas cítricas, como maracujá e laranja, domina o paladar e quase que instantaneamente traz prazer e relaxamento. Ao final de um copo, a vida já parece mais verde, digo, colorida. E sabia que isso não é só impressão ou papo de mesa de bar?

De nome científico Humulus Lupulus, esta planta trepadeira da família Cannabinaceae pode alcançar oito metros de altura e tem uma série de propriedades que vão além da ação bacteriostática e antisséptica, que sabidamente beneficia as cervejas. São as plantas fêmeas que têm flores cônicas e produzem a tal lupulina, pó resinoso e brilhante cobiçado pelos cervejeiros. No que diz respeito à produção da cerveja, o uso dos lúpulos foi adotado no século XV e impacta na qualidade da cerveja em categorias como amargor, aroma, espuma, estabilidade coloidal e microbiológica.

Fora da esfera cervejeira, sabe-se que a planta era usada de maneira generalizada pelos romanos e há numerosos documentos que registram a utilização do lúpulo como planta calmante, para tratar os problemas do sono – travesseiros recheados com lúpulos eram alternativa para tratar os insones. Posteriormente, alguns estudos comprovaram que a planta traz mais de 20 compostos que tem características sedativas. O uso medicinal do lúpulo primeiramente foi focado no uso das suas propriedades sedativas e tratamento dos “problemas dos nervos”.

Infusões feitas a partir da flor do lúpulo seca podem ser usadas para tratar ansiedade e insônia. Sabe aquela dor de cabeça depois de um dia tenso? Então, essa infusão, que leva apenas dez minutos, aliada ao repouso, alivia o incômodo. Espasmos musculares, rigidez muscular, palpitações e aumento da frequência cardíaca, na maior parte das vezes, tem origem neural, mas o chá de lúpulo pode ajudar a superar essas anomalias quando elas estão relacionadas a questões psicológicas.

Problemas de pele, como eczemas ou dermatites, ou mesmo as dores da artrite, por exemplo, podem ser cuidadas com compressas feitas com panos umedecidos por tintura de lúpulo dissolvida em água. O uso do lúpulo vem sendo apontado em pesquisas como uma substância anticancerígena. Supostamente, a planta tem propriedades que inibem o crescimento destas células, especialmente no caso do câncer de mama.

Deu para notar que há uma série de usos medicinais para um dos ingredientes da cerveja, certo? O lúpulo, queridinho dos fãs de cerveja artesanal, ajuda na saúde quando utilizado da maneira correta. Quando inserido na cerveja, colabora para além das suas características sensoriais: ele ajuda na vida!

Vai uma ajuda aí? Estilos como o India Pale Ale e suas versões, como West Coast IPA e Juicy IPA, elegem os lúpulos como protagonistas. Escolha um deles, capriche na cervejaria eleita e aventure-se com uma aromática e relaxante pesquisa de campo!

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