Segundo tempo

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Após avaliarmos tintos do Douro acima de R$ 90, provamos deliciosos vinhos da mesma região na faixa de R$ 30 a R$ 90

Por Guilherme Rodrigues
Fotos: Luiz Henrique Mendes

A fama dos grandes vinhos do Douro já é bem conhecida e reconhecida mundialmente. Seus ícones atingem preços elevados e esgotam-se rapidamente após o lançamento. Agora, esta prova de GOSTO revelou outra grande sensação. Vinhos deliciosos de beber, com graça, charme e categoria, a preços muito atraentes. Quando provamos às cegas os tintos do Douro na faixa de R$ 30 a R$ 90, a surpresa da qualidade e apelo positivo foi imediata. Em seguida, a serem revelados os rótulos e preços, muitos altamente qualificados e abaixo dos R$ 50, a surpresa foi redobrada. Estava ali uma espécie de veio de ouro, no quesito custo/benefício.

São tintos limpos, de boa intensidade, fruta gostosa, profundidade, bom corpo, complexidade. A base de fruta vermelha madura típica do Douro, com nuances suavemente minerais, reveladas em vinhos ao mesmo tempo vivos e refinados. Bons de beber, categorizados, têm personalidade e, sobretudo, preço acessível. Sem falar que são vinhos gastronômicos por excelência, perfeitos com churrascos, todos os tipos de carnes, massas, legumes, queijos, caça. Além de aptos a guarda por cerca de sete anos.

Aliás, era de se esperar, pois o Douro é uma das mais célebres e antigas regiões vinícolas do planeta. Há séculos, sua menção é obrigatória ao lado de nomes como Bordeaux, Borgonha, Champagne. A diferença é que, nos últimos 200 ou 300 anos, a região dedicou atenção especial ao mais fabuloso vinho fortificado do mundo, o inigualável Porto. Contudo, a partir da década de 1990 operou-se uma revolução. Sem deixar de lado a produção dos soberbos Portos, os produtores souberam rentabilizar o grande potencial do Douro e passaram a fazer vinhos de mesa categorizados e bem-acabados. Sucesso imediato, a prática difundiu-se rapidamente, com mais e mais produtores e com vinhos em todas as faixas de preços. O resultado está aí. Além dos grandes ícones, vinhos tintos com qualidade e distinção muito difíceis de achar em outras regiões, na mesma faixa de custo. Uma espécie de síntese entre o que de melhor têm os vinhos do Novo Mundo, com o pedigree dos europeus clássicos.

A maior parte dos rótulos em prova é da recente safra de 2010, um ano trabalhoso, no geral com vinhos menos potentes e encorpados que 2009, mas com boa maturidade e frescor de fruta, que os torna joviais e bons de beber. O 2009 foi um grande ano, de fruta madura e cremosa, opulência, força, vigor e sofisticação, praticamente esgotado nesse preço, assim como os anteriores: 2008, bela colheita, vinhos mais clássicos e elegantes; 2007, dos melhores, uvas bem maduras e ao mesmo tempo com elegância e suavidade; 2005, dos maiores, uma síntese de dois aparentes opostos, opulência e refinamento. Dos 29 rótulos testados, apenas dois denotaram defeito de garrafa.

Equipe da revista GOSTO degustando vinhos tintos do Vale Douro que custam menos de noventa reaisA prova foi conduzida às cegas, em copos de degustação. Transcorreu no restaurante North Grill do Shopping Frei Caneca, em São Paulo (Rua Frei Caneca, 569, 3º piso, tel. (11) 3472-2038), com o serviço perfeito do sommelier Genivaldo Brito de Lima, assistido por Ivo da Silva. Participaram da avaliação dos vinhos, além deste redator, os consagrados provadores: Alexandre Bronzatto e José Maria Santana. Esteve presente o diretor de redação de GOSTO, jornalista J.A. Dias Lopes. Após os trabalhos, o talentoso assador Uiliam Porto Rocha serviu suculentas carnes grelhadas. Também foi servida paleta de porco preto na chapa. Harmonizaram-se perfeitamente com os inspiradores tintos do Douro.