Sushi Yassu: o salvador da Liberdade

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Melhor restaurante de sushi do bairro oriental paulistano, o Sushi Yassu é zona de conforto para quem não está com paciência de arriscar. 

Por Thiago Minami*

Sushi Yassu (Rua Tomás Gonzaga, 98, Liberdade, São Paulo-SP. Tel.: 11 3209 6622. www.sushiyassu.com.br)

Aos desavisados, pode parecer uma esquisita contradição que a Liberdade, na condição de bairro oriental paulistano, careça de bons sushis. Ao mesmo tempo, é um tapa na cara tão gostoso quanto o de ir a um restaurante italiano e não encontrar uma pratada de macarronada com molho vermelho. Ou de visitar um brasileiro no exterior e não ver nem sinal de churrascos rodando pelo salão em espetos. É o sabor único de sentir um estereótipo desfazendo-se no ar.

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Batatinhas de entrada

Comer, contudo, não precisa ser um ato de audácia. Às vezes, é de lugares-comuns que precisamos – um espaço de conforto para sentir prazer, aconchego e só. Aí entram lugares como o Sushi Yassu, exceção isolada na Liberdade com seu sushi simples e suficientemente saboroso. O preço, claro, sobe um pouco em relação à média do bairro. Ainda assim, fica abaixo das melhores casas de sushi da cidade.

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Ambiente com cara de restaurante japonês

O ambiente é perfeito para levar aquele amigo carioca visitando São Paulo. Porque tem a cara – falando em estereótipos – que se espera de um restaurante japonês. A porta de entrada é de madeira e desliza. O ambiente é pequeno e tem o sushiman de olhos puxados logo à direita em seu balcão, com as mesas dispostas uma atrás da outra do lado esquerdo.

O combinado simples (R$120), chamado de Liberdade, serve duas pessoas na medida, isto é, sem regalias. Na primeira mordida, a qualidade do peixe justifica-se. Salmão de sabor vivo, atum vermelho-brilhante. Wasabi (raiz-forte) que não causa tristeza nem traz lágrimas aos olhos. A quantidade grande de salmão mostra que estamos no Brasil. Também uramaki com o peixe laranja no meio (e muito gostoso, porque se desfaz na boca) e a opção de trocá-lo pela versão Califórnia, invenção dos Americans.

Na primeira mordida, a qualidade do peixe justifica-se. Salmão de sabor vivo, atum vermelho-brilhante.

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Combinado Liberdade (R$120)

Não chega a ser uma beleza o corte do sashimi – se o belo disser respeito ao que se apreende pelos olhos. Sem entrar nos labirintos da filosofia, falando apenas da dimensão enorme das palavras, é justo apontar que as peças de peixe cru são bonitas justamente pela assimetria, que confere um jeitão de caseiro. Salmão, atum e algum dos nossos peixes de água quente (chamados de “brancos” pelos insensíveis). Só perderiam o charme se a carne estivesse velha, sem gosto, o que definitivamente não ocorre no Sushi Yassu.

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“Primavera” estampada no copo

Dica: se pedir o combinado Liberdade, leve um amigo caridoso, desprendido. Talvez ele te deixe ficar com o único niguiri de camarão, solitário num mundo de peixes coloridos.

*Thiago Minami é jornalista (thiago@revistagosto.com.br). Tornou-se o hashi mais rápido do leste ao longo de cinco deliciosos anos na Ásia, em países como Japão, Tailândia e Vietnã.    

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