Vida no mar

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Meses sem ver a família, mas com a oportunidade de viajar o mundo e ganhar dinheiro. Saiba como é trabalhar em um navio

*Por Suzane G. Frutuoso (texto e fotos)

São 22 anos trabalhando em cruzeiros como garçom. A experiência acumulada carrega junto a saudade da esposa e das três filhas, que vivem em Manila, capital das Filipinas, na Ásia. “Mas é melhor assim. Não se ganha tão bem por lá. A economia varia muito”, diz o filipino Edwin Crespo, 47 anos, que atendeu a mesa 91, reservada para a imprensa, todas as noites no restaurante King and I, do navio Splendour of The Seas. A Revista GOSTO foi uma das convidadas para acompanhar o cruzeiro temático Royal Gourmet, da Royal Caribbean, que durou sete dias, partindo de Santos, litoral de São Paulo, em 13 de março, com paradas em Buenos Aires, Argentina, e Punta del Este e Montevidéu, no Uruguai.

Fiquei até surpresa quando Edwin baixou um pouco os olhos enquanto conversava comigo no final de um jantar. Até ali, ele se mostrara animado, divertido e solícito. Nos atendia cheio de energia, sorriso no rosto e apresentando truques talentosos, como formar uma rosa com o guardanapo ou compor um cisne cortando artisticamente uma maçã.

O garçom passa até sete meses sem ver a família. Quando perguntei um pouco de sua vida, a falta de seus queridos bateu. “Tem a distância, mas não me arrependo. Viajo vários países, conheço pessoas diferentes”, disse ele, que antes de se tornar um profissional do mar trabalhou servindo na casa de governantes filipinos. A filha mais velha também já ingressou em uma companhia de cruzeiros. “Ela é guest relations, cuidando de atividades internas para passageiros vips no navio”, afirma, com animação de volta no olhar. Filipinas é um dos países que mais concentra escolas de treinamento para cruzeiros das principais companhias marítimas. E as funções aprendidas ali se tornaram umas das mais importantes fontes de renda da população.

A brasileira Karine Calahan, 26 anos, de Avaré, no interior de São Paulo, também entrou para o time que trabalha intensamente e sempre de bom humor. Ela era um dos funcionários já com a mão na massa às 10h30 na cozinha do navio. “Trabalho na confeitaria. Tenho quatro anos de cozinha, mas é minha primeira vez em navio”, contou a jovem, que recebe US$ 800 mensais. “É ótimo para juntar dinheiro já que não gastamos com nada. Fora que a experiência é rica, com pessoas de todas as partes do mundo”.

O próximo Royal Gourmet já tem data de partida marcada para 24 de janeiro de 2016 e será no navio Rhapsody of The Seas. No site www.royalcaribbean.com.br logo estarão disponíveis as informações e reservas de cabine da terceira edição.

*A redatora-chefe da Revista GOSTO viajou a convite da Royal Caribbean.

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