Nos Golden Globes deste ano, atrizes se uniram em protesto contra o assédio sexual; nas redações, escritórios, agências, hospitais, escolas, faculdades e demais instituições, mulheres indignadas com as formas de coerção começaram a denunciar seus abusadores. A onda de denúncias chegou ao ponto da revista americana TIME dar o cobiçado título de “personalidade do ano” a todas as mulheres que se expressaram e agiram contra diversas formas de abuso sexual.

Com muitos homens em posições de poder, a gastronomia é também um meio com casos deste tipo. Em meio aos escândalos em diversas áreas, as acusações têm se tornado mais frequentes e abertas ao público.

Mario Batali (foto: Eater)

Em dezembro de 2017, a história do chef Mario Batali chegou à mídia. Ele foi acusado por oito mulheres de cometer atos não consensuais, segundo o Huffington Post. Sócio de diversos restaurantes, apresentador do programa The Chew e dono de linhas de produtos culinários, Batali foi denunciado por ex-funcionárias. Segundo as vítimas, ele frequentemente fazia comentários impróprios e as tocava de forma violenta e não desejada nos seios e pernas.

Em resposta ao The Washington Post, Batali disse que as alegações têm fundamento e que seu comportamento no passado foi errado. Ele pediu desculpas às pessoas que maltratou, humilhou e machucou e se descreveu como a “personificação de idiotice”. Em específico, referiu-se a um retaurante, a Osteria Mozza, e disse que demonstrou desrespeito pelos funcionários, clientes e pelo próprio restaurante, e confirmou que tinha o costume de trabalhar bêbado.

Em resposta às denúncias, ele foi desligado do The Chew e afastado da operação e administração de seus restaurantes. O Eataly, complexo gastronômico com unidades em todo o mundo, retirou os produtos da marca do chef de suas prateleiras.

Cultura abusiva? “Eu, não!”

John Besh (foto: divulgação)

O chef John Besh, de Nova Orleans, ficou conhecido por ser um dos ativistas pela riqueza culinária de sua cidade após os impactos do Furacão Katrina, que passou pela região em 2005. Ele é dono do Besh Restaurant Group, que administra 12 restaurantes. O empresário foi afastado de sua empresa quando várias mulheres alegaram ter sido vítimas de assédio sexual recorrente em seus restaurantes, por parte dele e de seus funcionários. Ele negou a existência de uma “cultura abusiva” em seu negócio. O caso veio à tona em outubro de 2017.

Ken Friedman (foto: Eater.com)

No mês passado, Ken Friedman, proprietário do Spotted Pig, restaurante do West Village nova-iorquino que costuma ocupar páginas de tabloides norte-americanos por receber convidados VIP selecionados a dedo por Friedman, apareceu nos noticiários por um motivo chocante: a denúncia de cerca de dez funcionárias da casa, que descreveram os abusos aos quais foram submetidas durante o tempo de serviço para a empresa. Elas contaram que o chefe, de 56 anos, diversas vezes as tateou em público e exigiu relações sexuais. Elas também relataram comportamentos agressivos por parte dos amigos e convidados do dono da casa.

As vítimas ainda declararam que, com ele, os limites entre vida pessoal e profissional eram turvos. Por isso, ele se sentia no direito de constrangê-las com brincadeiras e atitudes de cunho sexual. Friedman fez um pronunciamento, afirmando que “alguns incidentes não aconteceram como foram descritos, mas o contexto e o conteúdo não estão em discussão hoje. Peço desculpas agora publicamente pelas minhas ações”. A empresa anunciou que Friedman decidiu afastar-se por prazo indefinido da administração de seus restaurantes. Ele possui, junto à chef April Bloomfield, cinco restaurantes em Nova York, como o Breslin Bar & Dining Room e o John Dory Oyster Bar; o Tosca Cafe em San Francisco; e o Hearth & Hound, em Los Angeles.

Homens, uni-vos!

Tom Colicchio, chef norte-americano responsável pela fundação do Gramercy Tavern, restaurante nova-iorquino aclamado pelo público, escreveu uma carta-aberta a homens que exercem a profissão de chef de cozinha. Nela, o profissional diz que as denúncias de assédio sexual expostas pela imprensa não são novidade para homens e mulheres que trabalham no ramo da gastronomia. Ele pontua que há uma cultura machista que permeia nossa sociedade. Segundo ele, ela não deixa as cozinhas de fora, e para ele é fácil “ver que é a hora para os homens da indústria de restaurantes dizerem uns aos outros: basta”. De violência, porque as denúncias estão só começando.

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