Filho de uma italiana e um francês, François Nony nasceu no Brasil, mais especificamente em São Paulo, bem distante de Bordeaux, região da França notória por seus grandes e inesquecíveis vinhos. Mesmo com tantas léguas de separação, é François quem está hoje à frente da prestigiada vinícola Château Caronne, localizada em Haut-Médoc. No mês de julho, esteve no seu país natal em viagem profissional.

O começo dessa história tem data: 1900, quando Emilie e Eugène Borie compraram a propriedade de Caronne com apenas 35 hectares, que surgiu em 1648 e pertenceu a uma ordem religiosa católica. Por muito tempo abrigou peregrinos a caminho de Santiago de Compostela. Emile era avô de Jean Nony-Borie, que assumiu a administração em 1943, quando ainda não imaginava que passaria o controle da vinícola para seu sobrinho, François.

Até os oito anos de idade, François residiu no Brasil com sua família. Seu pai, que trabalhava no Banco Francês Brasileiro, adoeceu e decidiu buscar tratamento na Inglaterra com especialistas. Assim, François passou boa parte de sua juventude na Grã-Bretanha antes de decidir ir para a França. Estabeleceu-se com a família e, após o falecimento da avó, começou a se envolver nos negócios da vinícola, ajudando o tio com as vendas dos vinhos enquanto cursava Direito.

Tudo indicava que François seguiria um rumo diferente das vinhas. Residindo em Paris, abriu uma empresa que criava objetos para campanhas publicitárias. Malas, bolsas e outros tipos de brindes e presentes eram suas peças. Chegou a trabalhar com nomes como Renault, Canal+ e em parceria com a empresa Pylônes, que até pouco tempo tinha lojas no Brasil. Envolvido com o inebriante clima cosmopolita e agitado de uma grande capital, não foi fácil fazer a mudança para uma vida provinciana como a de Bordeaux. Mesmo assim, vendeu sua companhia em 1997 para ajudar o tio com a vinícola. em 2002, assumiu totalmente a administração ao lado do irmão, Georges. Seu Château Caronne Ste. Gemme se tornou imbatível no quesito preço/qualidade.

Atualmente, François supervisiona todos os processos agrícolas, que considera fundamental. “Sem boas uvas, não há bom vinho”, sentencia. Ele determina o estilo do vinho (a tipicidade de St Julien, a mineralidade no caso do Caronne e as frutas redondas e frescas do Château Labat (seu outro grande vinho). Para isso, trabalha lado a lado do engenheiro agrônomo Olivier Seze, antigo proprietário do Château Charmail, e da equipe técnica da vinícola, sob comando do enólogo.

Vinho como paixão

O vinho, enfim, tornou-se uma paixão. Aliás, para François Nony, ser passional a respeito do trato com a vinha e o vinho é imprescindível para sustentar o esforço empregado no dia a dia de sua empreitada. Seu ideal de um “Caronne perfeito” ainda não foi alcançado e, para ele, essa é a “perfeita motivação”. Hoje, além dos vinhedos Caronne, a família também conta com o já mencionado Labat, um antigo vinhedo que data do século XVIII e foi incorporado à propriedade. Para cada château, seu respectivo vinho: o Chateau Caronne Ste. Geemme tem corte Cabernet Sauvignon (60%), Merlot (35%) e Petit Verdot (5%); e o Chateau Labat, composto por Cabernet Sauvignon e Merlot em iguais proporções. Ambos descansam 12 meses em barricas de carvalho francês antes de serem engarrafados.

Para François, é importante que o vinho seja a expressão do terroir, a expressão de Bordeaux e, principalmente, a expressão da uva. Porém, isso não faz dele adepto da onda “bio” (como são rotulados os vinhos orgânicos e naturais na França). Existem hectares em sua propriedade destinados a testes de cultivo e manejo orgânico e biodinâmico, que são acompanhados por engenheiros agrônomos. No entanto, as maiores preocupações de François estão nas doenças da videira e nas mudanças climáticas bruscas – decorrentes do aquecimento global – que afetam diretamente a qualidade e a quantidade de suas safras.

Natureza versus vinho

Desde 2011, praticamente uma safra e meia foi perdida por conta de estranhezas climáticas como geadas e altas temperaturas fora de época. Nessas horas, os vinhateiros de todo o mundo se unem para tentar reunir o pouco conhecimento que têm para enfrentar esse novo inimigo. François conta que, para “prever o futuro” de suas vinhas, está em contato constante com amigos na Austrália. Isso porque “tudo o que acontece na safra deles lá acontecerá na próxima aqui”.

O Château Caronne, de fato, oferece um ambiente peculiar, com uma vista autêntica em beleza que deve ser conservado. Isolado de outros vinhedos, é cercado por pântanos “que representam o máximo da preservação da vida selvagem”. François sente que trabalhar no e para o Château Caronne e o Château Labat significa o mesmo que se lançar em uma boa causa. Isso é ainda melhor do que uma paixão.

Os vinhos de Fraçois Nony, tanto o Château Caronne Ste. Gemme como o Château Labat, são importados pela Porto a Porto, de Curitiba, Paraná, tel. (41) 3018-7393 /FACEBOOK.COM/PORTOAPORTO; e Casa Flora, de São Paulo, SP, tel. (11) 3327-5199/ FACEBOOK.COM/CASAFLORABRASIL

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