Porque a uva Carmenère faz tanto sucesso

Originária da região do Médoc, na França, a Carmenère já foi considerada extinta. Redescoberta no Chile, merece ser objeto de um revival

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Por Gianni Tatari e Gladstone Campos

Terceira uva mais plantada no Chile, só perdendo para a Merlot e a Cabernet Sauvignon, a Carmenère acabou se transformando no símbolo da pujante vitivinicultura do país. Ocupa 7.284 hectares desde o Vale de Elqui, no Norte, até Osorno, comuna e cidade do Sul. A razão de virar emblema se deve tanto à sua qualidade, como à circunstância na qual foi reencontrada.

A Carmenère é originária da região do Médoc, em Bordeaux, na França, onde a cultivavam amplamente no início do século 19. Na década de 1860, quando a praga da filoxera atacou suas raízes, folhas e brotos, levando-a praticamente à extinção, foi considerada extinta. Foi redescoberta em 1994, nos vinhedos da Viña Carmen, uma das melhores e mais reputadas do Chile, fundada em 1850.

Estava plantada junto com outras variedades, como por exemplo a Merlot, com a qual era confundida. Sua identificação foi realizada pelo ampelógrafo francês Jean-Michel Boursiquot. Examinando uma vinha considerada 100% Merlot, ele notou que algumas cepas demoravam mais a maturar. Eram na verdade de Carmenère. Desde então, o Chile passou a cultivá-la cada vez mais. No início, entrou em pequenas proporções nos cortes dos vinhos; no final da década já aparecia como principal uva em alguns tintos.

A Carmenère pode revelar uma infinidade de aromas tão diversos como pimenta negra, toques animais, tabaco, cogumelos e outros. Seu nome poderia estar relacionado com a palavra “carmim”- substância corante, vermelho vivo. Mesmo com seu baixo rendimento, tem alta concentração de cor. Por isso, merece ser, junto com a Petit Verdot, objeto de um revival.

Retornou até para Bordeaux, com o Châteaux Clerc Milon, admitindo a presença no seu assemblage, em princípios dos anos 2000. Na Lombardia, na Itália, aconteceu a mesma coisa. Também havia chegado na região como Merlot. Ali, as talentosas mãos de Maurizio Zanella – leia-se Cà del Bosco – produziram uma versão muito robusta do Carmenère, vinho lá chamado de Carmerero. Vale quanto custa.

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