Existe mais de uma maneira de chegar de Florença a Siena. Você pode escolher, por exemplo, a Autoestrada Florença-Siena (SS741) e, em pouco mais de uma hora, terá cruzado em alta velocidade os 76 quilômetros que mais se parecem com um tapete de asfalto e que separam uma cidade da outra. Ou, se não tiver pressa, pode escolher a estrada Chiantigiana (SR222), passando por toda a região de Chianti e visitando as (imperdíveis, na minha opinião) San Gimignano e Monteriggioni. Embora a segunda opção seja a mais curta, com apenas 69 quilômetros de estrada, acaba sendo mais demorada não apenas pelas inúmeras paradas, mas também por passar por entre as colinas da Toscana (sim, a estrada é bastante curvilínea).

Greve in Chianti, a primeira parada, é onde está o “portão de entrada” à região de Chianti para os que viajam do norte para o sul, como é o caso de quem partiu de Florença. Em seguida, Panzano (onde está o castelo de Panzano, construído na Idade Média, mas um dos mais bem conservados da Toscana), Castellina (sede do Museu de Chianti, imperdível para os “wine geeks”), San Gimignano e Monteriggioni (dois vilarejos medievais que parecem cenário de filme), Radda (outra cidade medieval murada, sede da antiga Liga de Chianti e até hoje muito importante para o vinho toscano) e Gaiole (uma das mais importantes cidades para Chianti Classico, cercada por inúmeras vinícolas) são outras parada da estrada de Chiantigiana até chegar a Siena, o destino final dessa jornada.

As disputas por Chianti e a lenda do Gallo Nero

Reza a lenda que, durante a Idade Média, quando as repúblicas de Florença e Siena disputavam a dominação de Chianti, importante região vinícola situada entre as duas cidades italianas, foi escolhido um método um tanto quanto particular para definir os limites territoriais delas. Cada cidade deveria enviar um cavaleiro, que sairia ao despertar do galo, e a fronteira seria estabelecida no ponto de encontro entre eles.

“Ao se prepararem para o evento, foi dada mais importância para a escolha do galo do que do cavaleiro ou do próprio cavalo”, de acordo com o Consorzio Vino Chianti Classico. Florença escolheu um galo negro, que foi mantido por dias em um galinheiro pequeno e praticamente sem comer. Já em Siena, escolheram um galo branco. Chegado o grande dia, pouco antes do amanhecer, o galo de Florença, faminto, foi liberado do galinheiro e logo começou a cantar, permitindo a saída do cavaleiro florentino ao encontro da fronteira. Enquanto isso, o cavaleiro de Siena esperava o cantar do seu galo, o que aconteceu somente com o primeiro raio de sol.

O resultado?

Os dois se encontraram em Fonterutoli, a apenas 12 quilômetros de onde o cavaleiro sienês saiu. Segundo a lenda, por essa razão, o comando da região de Chianti passou a ser praticamente todo de Florença. Uma coisa é certa: até hoje, o galo negro é o símbolo do consórcio de Chianti Classico, que busca proteger, supervisionar e valorizar o vinho Chianti Classico, um dos mais tradicionais e emblemáticos da Itália.

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